O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que já durava menos de um mês, foi rompido em 8 de julho, quando o presidente americano Donald Trump declarou que o acordo firmado em 17 de junho havia acabado. A retomada dos bombardeios coincidiu com o funeral do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano morto em fevereiro durante os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país. As cerimônias fúnebres, realizadas em cidades como Teerã, Qom, Mashhad, Najaf e Karbala, duraram seis dias e reuniram multidões.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, o Centcom, 90 alvos militares na costa iraniana foram atingidos em uma primeira rodada, número que somou 170 em 48 horas, incluindo sistemas de defesa aérea, instalações de vigilância e ativos navais. O Ministério da Saúde do Irã contabilizou 14 mortos e 78 feridos nos ataques dos últimos dois dias, com danos relatados em portos, aeroportos e linhas ferroviárias, entre elas a que liga Teerã a Mashhad, palco do funeral. Em retaliação, o Irã atacou instalações militares americanas no Bahrein, no Catar e no Kuwait; o Kuwait afirmou ter interceptado mísseis e drones, e o Catar emitiu alerta de segurança. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, avisou que Washington ainda não aprendeu que ataques têm custos. A escalada já reduziu drasticamente a navegação no estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo: o tráfego caiu de cerca de 130 navios por dia, no início da guerra, para aproximadamente 30.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma factual, privilegiando números oficiais de baixas, alvos atingidos e movimentação diplomática, sem atribuir intenção a nenhum dos lados do conflito. Já veículos de direita enfatizaram a instabilidade interna do regime iraniano exposta durante o funeral: manifestantes teriam ameaçado de morte o presidente Trump, e o próprio presidente iraniano Masoud Pezeshkian foi hostilizado por parte do público, considerado conciliador demais pela linha dura. Essa cobertura sugere que a radicalização interna do Irã, mais do que a decisão americana, teria dificultado a manutenção do cessar-fogo, e cita fontes americanas dispostas a manter pressão militar até que o país entenda que os EUA não estão brincando.
Em contraste, a leitura provável de veículos de esquerda destacaria que a decisão de romper a trégua partiu unilateralmente do presidente americano, sem que a reportagem detalhe uma justificativa equivalente do lado dos Estados Unidos para o fim do acordo. Essa leitura chama atenção para o custo humano imediato, mortos, feridos e infraestrutura civil danificada, e para o impacto econômico da escalada sobre o comércio global de energia, que tende a recair sobre consumidores em todo o mundo, não apenas sobre os governos envolvidos no conflito.
O que ainda não se sabe é se a trégua poderá ser retomada nos mesmos termos do acordo de 17 de junho, e qual será o papel do filho e sucessor de Khamenei, Mojtaba Khamenei, ausente do funeral após, segundo relatos, ter ficado gravemente ferido no mesmo ataque que matou o pai.