Os Estados Unidos retomaram os ataques militares contra o Irã neste sábado, 27 de junho, atingindo depósitos de mísseis e drones e estações de radar costeiras nos arredores do Estreito de Ormuz. Pouco depois, o presidente Donald Trump elevou o tom e afirmou, em publicação na rede social Truth Social, que a República Islâmica do Irã deixará de existir caso os Estados Unidos sejam forçados a concluir militarmente o confronto no Oriente Médio.
A cobertura de centro relatou os fatos com detalhe: segundo o Comando Central dos Estados Unidos, conhecido como Centcom, a operação foi uma resposta direta a um ataque iraniano com drone contra uma embarcação comercial em 25 de junho, episódio que Washington classifica como violação do cessar-fogo firmado em 17 de junho. Esse acordo, baseado em um memorando de 14 pontos, previa o fim das operações militares, o respeito à soberania, a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de negociações finais, entre outros compromissos. Os veículos de centro também destacaram a importância estratégica da região: de 20% a 25% de todo o petróleo transportado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz, o que confere alcance global a qualquer escalada ali. Segundo o Centcom, o Irã teria atacado o navio-tanque M/T Kiku, com bandeira do Panamá, que transportava mais de 2 milhões de barris de petróleo bruto.
Na transcrição da ameaça, Trump afirmou que pode chegar um momento em que os Estados Unidos não consigam mais agir com prudência e sejam obrigados a concluir, pela força militar, a missão iniciada. Se isso acontecer, disse ele, a República Islâmica do Irã deixará de existir.
Veículos de direita enfatizaram o ângulo da firmeza e da dissuasão. Nessa leitura, a reação americana é apresentada como resposta legítima a um regime que voltou a atacar embarcações e violou o cessar-fogo, sendo necessária para proteger a livre navegação e o comércio global. A advertência de Trump funcionaria como um recado claro de que a agressão iraniana terá consequências e de que não haverá leniência ocidental.
Veículos de esquerda, por sua vez, tendem a ler a mesma sequência de eventos como uma escalada perigosa. Nesse enquadramento, a retórica de fazer um país deixar de existir normaliza ameaças de aniquilação, desloca o foco da diplomacia para a destruição e expõe os riscos de uma potência impor sua vontade pela força em uma região já marcada por guerras, com custos humanos e econômicos que recaem sobre civis e sobre a economia global.
O que ainda não se sabe é a resposta oficial do Irã às acusações de violação do cessar-fogo, a extensão dos danos provocados pelos ataques e se as negociações para uma trégua definitiva seguirão de pé após a nova rodada de bombardeios. As reportagens disponíveis se apoiam sobretudo na versão norte-americana, sem detalhar a posição de Teerã.