Euro cai a 1,12 dólar, menor nível em 17 meses, com pressão da dívida francesa
Relato de fonte única, atribuído a DW Brasil. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
O euro atingiu 1,12 dólar na segunda-feira (5 de outubro de 2026), o menor nível em 17 meses, com queda de cerca de 5% no ano. A pressão vem do receio com a dívida da França, de juros globais altos e do petróleo mais caro.
Mais sobre Política Monetária
- Focus do Banco Central eleva IPCA de 2026 a 5,01%, acima do teto da metaCentro 75%Direita 25%4 fontes
- Focus do Banco Central eleva inflação de 2026 a 4,99% e corta PIB a 1,86%Centro 67%Direita 33%3 fontes
- Boletim Focus do Banco Central projeta IPCA de 5,01% e PIB de 1,92% em 2026Centro 33%Direita 67%3 fontes
Briefing
O que importa para você
- Euro a 1,12 dólar, queda de cerca de 5% no ano, encarece petróleo, gás e importações cotadas em dólar.
- Inflação na zona do euro deve seguir elevada até 2027.
- Rendimento dos títulos franceses de dez anos chegou a 5%, com a maior diferença para os alemães desde os anos 2010.
O que ainda está incerto
- Se o Banco Central Europeu vai intervir ou endurecer o discurso.
- Se a venda de títulos franceses vai continuar.
- Se o episódio indica nova crise de dívidas soberanas ou exagero do mercado.
O euro atingiu 1,12 dólar na segunda-feira, 5 de outubro de 2026, o menor nível em 17 meses. A queda reflete o receio com a dívida da França, os juros globais e o petróleo, e aumenta a pressão sobre o Banco Central Europeu.
O euro caiu na manhã de segunda-feira, 5 de outubro de 2026, para 1,12 dólar, o menor nível em 17 meses. A moeda acumula queda de cerca de 5% desde o início do ano. Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, e o relato a seguir se baseia nessa cobertura de fonte única.
Segundo essa cobertura, o movimento combina fatores globais e um problema local. Entre os globais estão a expectativa de juros mais altos do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, o aumento dos rendimentos de títulos públicos no mundo e a alta do petróleo. Para Ricardo Amaro, economista-chefe para a zona do euro da Oxford Economics, a última onda de vendas foi desencadeada sobretudo pela preocupação com a França, onde os investidores passaram a precificar um risco fiscal maior.
O rendimento dos títulos franceses de dez anos chegou a 5% antes de recuar um pouco. A diferença para os títulos alemães atingiu, na semana passada, o maior nível desde a crise da dívida da zona do euro, nos anos 2010. A dívida da França equivale hoje a quase 118% do Produto Interno Bruto, e o déficit anual supera regularmente 5%, contra 3,4% quando Emmanuel Macron assumiu a Presidência, em maio de 2017. Desde então, a dívida cresceu mais de 1 trilhão de euros, com gastos em alta e cortes de impostos.
O cenário político pesa. Embora o orçamento de 2027 já tenha sido aprovado, com reformas para reduzir o déficit, o partido Reagrupamento Nacional segue bem posicionado para a eleição presidencial de 2027, e Marine Le Pen é apontada como provável candidata. Investidores também observam o crescimento da Alternativa para a Alemanha. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez convocou eleições antecipadas depois que medidas para a crise habitacional foram rejeitadas pelo Parlamento.
Há pedidos para que o Banco Central Europeu intervenha e evite que a preocupação com a França vire pânico. Jim Reid, do Deutsche Bank, disse que a ampliação do diferencial entre títulos alemães e franceses chegou a sugerir uma minicrise de pânico iminente. Amaro avalia que o Banco Central Europeu está num dilema, porque um discurso duro demais aumentaria a pressão sobre os títulos franceses. Ele espera que a instituição monitore o câmbio sem tentar influenciá-lo diretamente por enquanto.
Os analistas divergem sobre a gravidade. Geoffrey Yu, estrategista sênior do BNY, considera exagerada a comparação com 2012. Amaro, por sua vez, diz que a expectativa de novas altas de juros neste ano, somada à piora das perspectivas de inflação, exige acompanhamento muito cuidadoso. Um euro mais fraco encarece importações, em especial as cotadas em dólar, como petróleo e gás, e a inflação deve seguir elevada até 2027.
Como só um veículo cobriu o assunto, não há, até aqui, enquadramentos distintos de esquerda ou de direita para comparar.
O que ainda não se sabe: se o Banco Central Europeu vai intervir ou mudar o tom, se a venda de títulos franceses vai continuar e se o episódio é um susto passageiro ou o começo de uma nova crise de dívidas soberanas.
Fontes
Nível mais baixo em 17 meses tende a agravar a inflação na UE, onde preocupações políticas e temores em relação à dívida francesa já inquietam os investidores.
