O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, lançou nesta quinta-feira, 16, o programa 'Brasil por Elas', um pacote de doze propostas voltado ao eleitorado feminino. O anúncio ocorre poucas semanas depois de um desgaste público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que divulgou um vídeo relatando ter sido desrespeitada pelo senador, episódio que expôs divisões dentro do campo bolsonarista.
O eixo central do programa é a criação da Central da Mulher, um aplicativo integrado ao Gov.br que reuniria serviços de qualificação profissional, acesso a crédito, programas de renda, orientação financeira e canais de denúncia de violência doméstica. Flávio afirmou que pretende garantir internet gratuita para cerca de 70 milhões de mulheres e revelou que a equipe de campanha avalia distribuir celulares para pessoas de baixa renda e idosos, argumentando que a conectividade é pré-requisito para o acesso aos demais serviços digitais previstos. O plano também apresenta a assistente virtual MarIA, baseada em inteligência artificial, criada para orientar mulheres sobre direitos, qualificação profissional e políticas públicas, além de vouchers para creches privadas, microcrédito, aluguel social e proteção patrimonial para vítimas de violência doméstica. Na área de segurança, o senador voltou a defender penas mais duras para crimes sexuais, incluindo a castração química para estupradores, e criticou o que chama de 'ideologia de gênero'.
A economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro, participou do lançamento e é cotada para compor a chapa como vice ou à frente do Ministério da Economia em um eventual governo do PL. A campanha também prevê ampliar a presença da deputada Simone Marquetto e de Fernanda Bolsonaro, esposa do senador, em agendas pelo país.
A cobertura de veículos de direita, como O Antagonista, relatou o lançamento de forma descritiva, associando o pacote à tentativa de reduzir a rejeição de Flávio entre as mulheres, segmento apontado como o de maior dificuldade nas pesquisas eleitorais. O jornal O Tempo, de centro, também registrou o anúncio, sem acrescentar detalhes adicionais aos já relatados. Até o momento, não há cobertura identificada de veículos de esquerda sobre o tema, o que impede contrastar interpretações opostas sobre a iniciativa.
Ainda não está claro como o pacote seria financiado, nem qual seria o cronograma para a distribuição de internet gratuita e celulares a dezenas de milhões de pessoas. Também não há, até aqui, reação pública de grupos de defesa dos direitos das mulheres, de partidos adversários ou de especialistas em políticas públicas sobre a viabilidade das propostas anunciadas.