O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal do Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência da República, afirmou em entrevista ao canal francês CNews TV que o Brasil não vive uma democracia plena. Dirigindo-se diretamente ao público da França, ele disse que é importante que todos os franceses saibam disso e acrescentou que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado por seus próprios inimigos.
Até o momento, apenas um veículo cobriu a entrevista, relatando que ela faz parte de uma viagem do senador por vários países em busca de apoio internacional à sua pré-candidatura. Em Israel, ele discursou numa conferência sobre combate ao antissemitismo no Knesset, o Parlamento israelense, e chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de antissemita. O roteiro incluiu ainda o Bahrein e encontros com deputados e empresários na França.
Na conversa com a emissora, Flávio escolheu como exemplo da conjuntura brasileira o esquema de fraudes em descontos associativos do Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS. Sem citar o nome, ele se referiu a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, ao dizer que o próprio filho de Lula é acusado de desviar dinheiro de aposentados.
O senador também classificou o governo Lula como de extrema esquerda e disse que o Brasil não aguenta mais quatro anos desse governo. Na mesma frase, afirmou que a França não aguenta mais um mandato de extrema incompetência como o do presidente Emmanuel Macron. Sobre meio ambiente, tema recorrente na Europa, sustentou que a Amazônia foi preservada durante o governo de Jair Bolsonaro e que, sob Lula, a região teve três anos consecutivos de recorde de queimadas.
Questionado sobre a aproximação entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Flávio afirmou que Trump sabe da posição estratégica do Brasil na geopolítica e precisa manter boas relações com o país independentemente de quem esteja na Presidência.
A única cobertura disponível reproduziu as declarações do senador sem contraponto e as enquadrou como parte da estratégia de projeção internacional do sucessor escolhido por Jair Bolsonaro. O texto não trouxe resposta do governo federal nem de especialistas sobre a afirmação de que o país não vive uma democracia plena.
Ainda não se sabe se o governo Lula ou o Itamaraty vão reagir às declarações feitas no exterior. A entrevista também não apresentou dados que sustentem as afirmações sobre queimadas na Amazônia, e não há na cobertura informação sobre o andamento da apuração que envolveria o filho do presidente nas fraudes do INSS.