Flávio Bolsonaro enviou emenda após pedido de miliciano do caso Marielle, diz PF
1 veículo de esquerda · 2 veículos de centro

Resumo da cobertura
A Polícia Federal encontrou no celular do miliciano Robson Calixto Fonseca, o Peixe, condenado pelo Supremo Tribunal Federal no caso Marielle Franco, mensagens de 2023 em que ele negocia com Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora do senador Flávio Bolsonaro, a liberação de uma emenda. O senador enviou R$ 199.999,79 ao Ministério do Esporte para um projeto de futebol do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP), no Rio. A PF e o Tribunal de Contas da União veem indícios de desvio. Flávio diz que seguiu a lei e que a execução cabe à entidade.
Alguém precisa ver os dois lados disso?
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- TVT NewsFlávio Bolsonaro destinou emenda a miliciano condenado no caso MarielleMensagens mostram assessora do senador Flávio Bolsonaro tratando de repasse de com Robson Calixto, condenado no caso Marielle
Análise editorial
O corpo concentra-se na proximidade entre Peixe e Chiquinho Brazão e na articulação da assessora, reforçando o elo com os mandantes do caso Marielle. A manchete afirma que Flávio destinou emenda a miliciano, mas o texto não descreve a emenda e termina ressalvando que os diálogos não demonstram que o senador soubesse da relação ou cometesse irregularidade. Ênfase seletiva típica de enquadramento à esquerda, com fonte secundária (reprodução de reportagem televisiva).
- Qualidade argumentativa
- 46/100
- Manipulação emocional
- 35/100
- Clickbait
- 50/100
- Fontes citadas
- 2
Perspectivas omitidas
- Não publica a resposta de Flávio Bolsonaro
- Não informa o valor da emenda nem o destinatário formal (Ministério do Esporte e IFOP)
- Não cita o relatório do TCU
Falácias identificadas
- Associação por proximidade na manchete, que o próprio corpo relativiza
Veículos com viés ao centro
- Estado de MinasFlávio Bolsonaro destinou emenda a miliciano condenado no caso MariellePF encontrou conversas entre Robson Calixto, o Peixe, e assessora do senador sobre repasse de quase R$ 200 mil; TCU apontou indícios de desvio
Análise editorial
Texto factual que reconstrói a cronologia das mensagens encontradas pela PF, cita o valor exato (R$ 199.999,79), o relatório do TCU de 2025 e publica a nota de Flávio em dois trechos. A manchete comprime o fato (a emenda foi ao IFOP após pedido do miliciano), mas o corpo sustenta a relação. Vocabulário sem carga ideológica evidente.
- Qualidade argumentativa
- 73/100
- Manipulação emocional
- 20/100
- Clickbait
- 35/100
- Fontes citadas
- 5
Perspectivas omitidas
- Não registra tentativa de contato com a defesa de Robson Calixto nem com os irmãos Brazão
- Notícias ao Minuto BrasilAssessora de Flávio Bolsonaro negociou liberação de emendas com miliciano do caso Marielle
Análise editorial
Manchete descritiva (a assessora negociou, não o senador) e corpo que traz a nota completa de Flávio, tentativas de contato com o advogado de Calixto e com as defesas dos irmãos Brazão, além do contexto da operação de julho sobre emendas de Chiquinho Brazão. Padrão de agência, sem framing ideológico.
- Qualidade argumentativa
- 77/100
- Manipulação emocional
- 15/100
- Clickbait
- 15/100
- Fontes citadas
- 6
Perspectivas omitidas
- Não menciona o relatório do TCU de 2025 sobre irregularidades no projeto
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram a assessora do senador Flávio Bolsonaro negociando em 2023 uma emenda de R$ 199 mil com Robson Calixto, o Peixe, condenado no caso Marielle Franco. O Tribunal de Contas da União viu indícios de desvio no projeto; o senador diz que seguiu a lei.
A Polícia Federal encontrou mensagens no celular do miliciano Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, que mostram uma assessora do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal do Rio de Janeiro, negociando com ele a liberação de uma emenda parlamentar em 2023. O dinheiro, R$ 199.999,79, ou cerca de R$ 199 mil, foi enviado pelo senador ao Ministério do Esporte e repassado ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o IFOP, para um projeto de futebol voltado a crianças da Taquara, na zona oeste do Rio. Peixe foi condenado em fevereiro pelo Supremo Tribunal Federal a nove anos de prisão por integrar o grupo dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, apontados como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. Flávio Bolsonaro é hoje candidato à Presidência.
Segundo a investigação, os diálogos começam em 24 de outubro de 2023, quando Peixe pede à secretária parlamentar Maria de Fátima Bezerra Castro que veja com o senador se ele pode ajudar. Ela pede um ofício e, dias depois, sugere que ele leve Chiquinho Brazão, então deputado federal, a uma cerimônia de entrega de coletes à Polícia Militar do Rio para reforçar o pedido pessoalmente. Em 6 de novembro, Peixe insiste, e ela responde que pode deixar. Ainda em novembro, a emenda foi destinada ao instituto. A Polícia Federal também registrou que, em janeiro de 2024, a assessora pediu ao miliciano quatro ingressos para o desfile das campeãs no Sambódromo, pedido que os investigadores classificaram como vantagem indevida.
As conversas integram uma investigação sigilosa no Supremo sobre desvios de emendas destinadas a entidades ligadas aos irmãos Brazão. Um relatório do Tribunal de Contas da União, de 2025, já apontava indícios de irregularidade, como a contratação, pelo próprio instituto, de um escritório de advocacia comandado pelo presidente da entidade para coordenar o projeto esportivo.
A cobertura de centro deu espaço detalhado à cronologia das mensagens, ao relatório do tribunal de contas e à resposta do senador. Em nota, a assessoria de Flávio afirmou que a emenda seguiu a legislação e os critérios técnicos do Ministério do Esporte, que a entidade apresentou notas fiscais e devolveu valores não usados, e que a responsabilidade pela execução é da beneficiária. Veículos de centro também registraram que a defesa de Peixe não respondeu aos contatos e que os advogados dos irmãos Brazão não comentaram o tema.
Veículos de esquerda destacaram a proximidade entre Peixe e Chiquinho Brazão no período da negociação e o fato de a assessora ter sugerido que os dois comparecessem juntos a um evento com o senador. Essa cobertura, porém, ressalvou que os diálogos não demonstram, por si só, que Flávio Bolsonaro soubesse da relação entre sua assessora e o condenado, nem que tenha cometido irregularidade.
Veículos de direita não haviam publicado cobertura própria do caso até o momento. A defesa apresentada pelo senador, centrada na responsabilidade da entidade executora e no papel dos órgãos de controle, chegou ao público pela cobertura de centro.
Ainda não se sabe se Flávio Bolsonaro tinha conhecimento dos contatos da assessora com o miliciano, nem quem usou os ingressos pedidos. Também não há conclusão da Polícia Federal sobre o destino final do dinheiro, e a investigação segue sob sigilo no Supremo Tribunal Federal.
Briefing
O que importa para você
- A emenda de R$ 199.999,79 passou pelo Ministério do Esporte e foi para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, na Taquara, no Rio.
- O Tribunal de Contas da União apontou em 2025 indícios de desvio no projeto.
- O caso atinge um candidato à Presidência e tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal.
Onde os lados concordam
- Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram a assessora Maria de Fátima Bezerra Castro tratando com o miliciano Peixe da liberação de recursos do senador Flávio Bolsonaro.
- A assessora sugeriu que Peixe levasse Chiquinho Brazão a um evento para reforçar o pedido com o senador.
- Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no caso Marielle Franco.
O que ainda está incerto
- Se Flávio Bolsonaro sabia dos contatos da assessora com o miliciano.
- Quem usou os quatro ingressos pedidos para o desfile das campeãs.
- Qual será a conclusão da Polícia Federal sobre o destino do dinheiro.
Fontes

PF encontrou conversas entre Robson Calixto, o Peixe, e assessora do senador sobre repasse de quase R$ 200 mil; TCU apontou indícios de desvio


Mensagens mostram assessora do senador Flávio Bolsonaro tratando de repasse de com Robson Calixto, condenado no caso Marielle


