Governo Lula orienta ministros a baixar o tom sobre fuga de Flávio Bolsonaro
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Veículos de esquerda publicaram duas abordagens. Uma deu voz ao deputado Márcio Jerry, vice-líder do governo na Câmara, que chamou a saída de Flávio Bolsonaro de covardia e traição e disse que ela revela o propósito da candidatura; o mesmo texto afirmou que o presidente derrotou o bolsonarismo e o trumpismo. Outra repercutiu a orientação do Planalto para manter distância das investigações e destacou a leitura do governo de que o reconhecimento internacional da vitória de Lula reduz o peso das falas de Trump.
A cobertura de centro relatou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou ministros a evitar elevar o tom sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, tratando o caso como assunto da Justiça e da Polícia Federal.
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3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: viés de centro.
Veículos com viés ao centro
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Veículos de esquerda e de centro concordam nos fatos: Flávio Bolsonaro saiu pela fronteira com a Argentina, descumpriu a ordem do ministro Alexandre de Moraes de entregar os passaportes e chegou a Miami; e o Planalto orientou ministros a tratar o caso como assunto da Justiça e da Polícia Federal.
O governo Lula orientou ministros a não elevar o tom sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro para Miami, que descumpriu ordem do Supremo Tribunal Federal de entregar os passaportes. Segundo apuração publicada em 29 de outubro, a orientação teria partido da Secretaria de Comunicação Social para evitar a tese de perseguição política.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou ministros e auxiliares a evitar elevar o tom sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal do Rio de Janeiro, para os Estados Unidos, dias depois da derrota dele no segundo turno da eleição presidencial. A cobertura de centro relatou que a orientação teria partido do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, e que a intenção é tratar o caso como responsabilidade da Justiça e da Polícia Federal.
Segundo essa apuração, o Planalto quer se afastar ao máximo do episódio para não alimentar o discurso de que a família Bolsonaro é alvo de perseguição do governo. A instrução veio depois de o próprio Lula criticar a saída do adversário. Na terça-feira, 27 de outubro, durante a comemoração de seus 81 anos no Palácio da Alvorada, o presidente chamou a atitude de vergonhosa, disse que a família Bolsonaro lambe as botas dos Estados Unidos e voltou a chamar Flávio de miliciano.
Os textos convergem na cronologia. Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira com a mulher e as duas filhas, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Da Argentina, seguiu num jato particular para o Equador e, depois, para Miami, onde desembarcou na manhã de quarta-feira, 28. Ao sair, descumpriu a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que mandou entregar os passaportes em 24 horas. O senador é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro num suposto esquema ligado a empresas do advogado Willer Tomaz e a um negócio de apostas on-line. Já nos Estados Unidos, divulgou uma carta em que se dizia o verdadeiro presidente eleito; minutos depois, trocou a expressão por líder do Brasil. Na carta, nega ter fugido, acusa o Judiciário de perseguição e fala em fraude eleitoral, sem apresentar provas. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, resultado reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo próprio Partido Liberal.
Veículos de esquerda trataram o caso de duas formas. Um texto deu voz ao deputado Márcio Jerry, do PCdoB do Maranhão, vice-líder do governo na Câmara, que classificou a saída como covardia e traição à pátria e disse que a candidatura tinha um plano de fuga. Esse mesmo texto afirmou, por conta própria, que o presidente derrotou o bolsonarismo e o trumpismo. Outro texto de esquerda repercutiu a orientação do Planalto e deu destaque à avaliação do governo de que o reconhecimento internacional da vitória de Lula reduz o impacto da declaração de Donald Trump, que disse, sem provas, que a eleição pareceu fraudulenta. A cobertura de centro, por sua vez, registrou com mais detalhe o conteúdo da carta e a avaliação de auxiliares de que o episódio não impede uma relação pragmática com o governo americano. Nenhum veículo de direita cobriu o caso no conjunto analisado.
Até a manhã de 29 de outubro, quando saíram as matérias analisadas, a Secretaria de Comunicação Social não havia confirmado publicamente a orientação, que era atribuída a apuração jornalística. Também não estava claro se Flávio pediria asilo nos Estados Unidos, nem quais medidas o Supremo tomaria diante do descumprimento da ordem judicial.
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