O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou nas redes sociais um pedido de desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, um dia depois de ela divulgar vídeos em que afirmou ter sido maltratada e humilhada pelo parlamentar. A crise familiar, que ganhou repercussão pública, tem como pano de fundo a disputa pelo comando do bolsonarismo e a definição de alianças para a eleição de 2026.
Na publicação, Flávio escreveu que 'em nenhum momento' ofendeu ou teve a intenção de ofender Michelle e disse manter por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher. O senador afirmou ainda que jamais desrespeitaria uma mulher, citou os dezesseis anos de casamento e o fato de ser pai de duas filhas, e disse ter convidado pessoalmente a ex-primeira-dama para uma reunião com lideranças femininas em Brasília. Segundo ele, suas decisões 'sempre são tomadas com o respaldo' de Jair Bolsonaro, em cumprimento a uma 'missão designada' pelo ex-presidente.
A cobertura de centro relatou o episódio dando paridade às versões. Reproduziu as falas de Flávio, o relato de Michelle e a manifestação de Fernanda Bolsonaro, esposa do senador, que defendeu o marido ao descrevê-lo como um homem 'leve, respeitoso, carinhoso' e pai dedicado. Nessa narrativa, o caso aparece como uma desavença interna a partir da disputa pelo palanque do PL no Ceará, onde o partido tentou se aliar ao ex-governador Ciro Gomes, movimento criticado por Michelle. O rompimento, segundo a ex-primeira-dama, remonta ao fim de 2025.
Michelle afirmou que telefonou para Flávio, que a teria tratado com rispidez e dito que seria melhor ela ficar fora das decisões do partido, alegando que ela 'não entendia nada de política'. Ela disse ter entendido que seu apoio era considerado insignificante e que, diante disso, recolheu-se.
Veículos de esquerda enfatizaram o relato de Michelle de ter sido 'apunhalada' e humilhada e destacaram que Flávio, em uma transmissão ao vivo realizada horas depois, preferiu falar de futebol, dizendo que 'nada nem ninguém' o aborrecia em 'dia de jogo', sem mencionar nominalmente a ex-primeira-dama. Essa cobertura também reforçou o contexto da condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão no inquérito da chamada trama golpista, hoje em prisão domiciliar por problemas de saúde, enquadrando o racha como uma disputa pelo comando de um movimento enfraquecido.
Veículos de direita tendem a tratar o episódio como divergência de estratégia eleitoral dentro da família, e não como crise do projeto político, dando peso ao pedido de desculpas de Flávio, à reafirmação de respeito a Michelle e à liderança de Jair Bolsonaro, e contextualizando o caso sob a ótica do que descrevem como injustiça contra o ex-presidente.
O que ainda não se sabe é se Michelle aceitará o convite para a reunião com lideranças femininas, como o PL resolverá a disputa pelo palanque no Ceará e qual será o desfecho da queda de braço pela liderança do bolsonarismo às vésperas do ciclo eleitoral de 2026. Também não há, até agora, manifestação pública de Jair Bolsonaro sobre o atrito entre o filho e a ex-primeira-dama.