Flávio Bolsonaro pode ser o nono presidente sul-americano aliado de Trump
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Sob o prisma da esquerda, a possível chegada de Flávio Bolsonaro à Presidência é lida como risco de subordinação da política externa brasileira aos interesses de Washington, com a segurança pública e a soberania em jogo.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno de 2026 à frente do presidente Lula (PT), com 47,03% dos votos contra 45,16%. Se vencer o segundo turno, poderá se juntar ao grupo de presidentes sul-americanos próximos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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Os dois relatos concordam com o placar do primeiro turno, com a reação de Trump, com a cronologia da aproximação de Flávio Bolsonaro e com o pano de fundo da retomada da Doutrina Monroe.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno de 2026 à frente de Lula e, se vencer o segundo, pode ampliar o grupo de presidentes sul-americanos próximos a Donald Trump. Entenda a cronologia da aproximação e o que cada cobertura destaca.
O senador Flávio Bolsonaro, do PL, terminou o primeiro turno da eleição presidencial de 2026 à frente do presidente Lula, do PT. Ele teve 47,03% dos votos, contra 45,16% do petista. A diferença é pequena, e a disputa será decidida no segundo turno.
Dois textos publicados em 7 de outubro destacam uma consequência internacional desse cenário. Se vencer, Flávio poderá se tornar mais um chefe de Estado sul-americano com aproximação política e diplomática com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os textos listam oito governos nessa condição, entre eles os de Javier Milei, na Argentina, Daniel Noboa, no Equador, Santiago Peña, no Paraguai, Rodrigo Paz, na Bolívia, e Abelardo de la Espriella, na Colômbia. Os dois relatos também se referem a Chile e Peru. A Venezuela é descrita como caso à parte, com acenos a Washington sem alinhamento declarado.
A cobertura de centro relatou que, na segunda-feira, dia 5, Trump foi questionado sobre o desempenho de Flávio e disse que se tratava de uma grande vitória, muito apertada, mas impressionante. Ele evitou, porém, declarar apoio formal. Nos dias anteriores ao primeiro turno, também não havia respondido se apoiaria o brasileiro.
Os relatos convergem na cronologia da aproximação. Em maio, Flávio foi à Casa Branca e disse ter pedido que os Estados Unidos classificassem o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas, posição contrária à do governo Lula. Em junho, Trump publicou uma foto do encontro no Salão Oval e elogiou o senador. No mesmo mês, Flávio disse que o Pix não deveria ser internacionalizado e defendeu barrar sistemas de pagamento considerados não ocidentais. Em setembro, afirmou que, se eleito, levaria o Brasil ao Escudo das Américas, coalizão de segurança criada pelo governo Trump.
O pano de fundo é a estratégia de segurança nacional americana, divulgada em dezembro do ano passado. O documento defende reafirmar a Doutrina Monroe, política de 1823 contra a interferência europeia nas Américas. Prevê mais presença da Guarda Costeira e da Marinha em rotas marítimas, combate mais duro aos cartéis, controle da imigração ilegal e maior acesso americano a locais estratégicos.
A cobertura de esquerda, representada por um veículo, enfatizou o alinhamento a Washington e a possível ampliação do grupo de aliados de Trump. Esse enfoque destaca a oposição entre a proposta de Flávio sobre PCC e CV e a posição do governo Lula, além da adesão ao Escudo das Américas e da crítica ao Pix. A leitura de esquerda, nesse recorte, vê a agenda como sinal de subordinação a interesses americanos.
A cobertura de centro foi mais explicativa. Detalhou o perfil de cada presidente aliado, distinguindo os mais ideológicos, como Milei, dos pragmáticos, como Noboa e Paz, e deu espaço ao histórico da Doutrina Monroe. Até o momento, nenhum veículo de direita cobriu o tema neste conjunto. A leitura provável desse campo, a partir dos mesmos fatos, valorizaria a parceria como ganho em segurança e cooperação contra o crime organizado.
Há uma inconsistência numérica nas fontes. Uma delas fala em Flávio como nono presidente alinhado, enquanto o corpo de outra o descreve como oitavo. Isso decorre de contagens diferentes de quais governos entram no grupo.
O que ainda não se sabe: se Trump apoiará formalmente Flávio no segundo turno, como a campanha de Lula reagirá a esse alinhamento e que compromissos concretos o Brasil assumiria em caso de adesão ao Escudo das Américas.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula e pode se tornar o nono presidente sul-americano próximo de Donald Trump.

MAPA mostra os países da América do Sul cujos governos mantêm aproximação com o presidente dos Estados Unidos, em diferentes áreas da política externa.
