O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, defendeu suspender a regulamentação da reforma tributária aprovada em 2023 caso seja eleito em 2026. A declaração foi dada durante o fórum "A indústria na agenda dos presidenciáveis", promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. O senador disse que votou contra a reforma por considerar que ela criou um dos maiores Impostos sobre Valor Agregado do mundo, com alíquota que, segundo ele, se aproxima de 30% por causa de exceções e benefícios setoriais incorporados ao texto.
No evento, Flávio Bolsonaro prometeu construir, em seu lugar, uma "reforma tributária negativa", com redução gradual da carga ao longo dos anos, previsibilidade e ajuste fiscal. Defendeu ainda um "tesouraço" para revogar portarias, decretos e normas regulamentadoras que, em sua avaliação, atrapalham o empreendedor. O encontro reuniu outros presidenciáveis, como o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD); o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado, mas não compareceu, cumprindo agenda no Rio de Janeiro.
A cobertura de centro relatou as falas com fidelidade, reproduzindo as aspas do senador e descrevendo a proposta de suspender a regulamentação para reavaliar pontos do modelo. Esses veículos registraram que o parlamentar atribui o cenário econômico ao aumento dos gastos públicos e à elevada taxa de juros, e que ele invocou a curva de Laffer para sustentar que uma carga excessiva levaria a inadimplência e sonegação. A apresentação foi predominantemente factual, sem adjetivação valorativa sobre a viabilidade da proposta.
Veículos de direita enfatizaram o mérito da bandeira: alívio tributário, segurança jurídica, desburocratização e equilíbrio fiscal pelo corte de despesas. Nesse enquadramento, a reforma aprovada teria penalizado empresas e profissionais liberais, e a promessa de suspender a regulamentação dialoga com a insatisfação de setores produtivos que se sentem sobrecarregados pela complexidade do sistema atual.
Já veículos de esquerda enfatizaram o que consideram o ponto fraco da proposta: a ausência de um plano de compensação fiscal. Para essa cobertura, prometer um IVA na casa dos 20% sem detalhar como financiar o Estado é inviável, sobretudo porque a média europeia de IVA supera esse patamar. Esses veículos alertaram que revogar uma reforma já aprovada pelo Congresso, com transição em curso por meio do Comitê Gestor do IBS e regras que se estendem até 2033, geraria instabilidade institucional, insegurança jurídica e risco de afugentar investimentos. Apontaram ainda contradição na proposta paralela de extinguir a reeleição, que dependeria do mesmo Congresso que o senador critica.
O que ainda não se sabe é como, na prática, o pré-candidato financiaria o Estado com uma alíquota de IVA significativamente menor, nem qual seria o cronograma e o desenho concreto da transição proposta. Também não há, nas matérias, manifestação detalhada do governo ou dos defensores da reforma aprovada respondendo ponto a ponto às críticas do senador.