O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, viajou aos Estados Unidos para participar, nos dias 6 e 7 de julho, de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O evento integra a investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de até 25% sobre produtos brasileiros, com decisão prevista para 15 de julho.
Antes de embarcar, Flávio enviou ao USTR um documento de 86 páginas pedindo a suspensão do tarifaço e a exclusão do Pix da disputa comercial. Durante a fala, de cerca de cinco minutos, ele defendeu que a sobretaxa fosse adiada para depois das eleições presidenciais de outubro, argumentando que a medida, se aplicada agora, fortaleceria politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador também defendeu o sistema de pagamentos Pix e dirigiu críticas ao governo Lula relacionadas a casos de corrupção, como o do Banco Master.
A cobertura de centro relatou o cronograma da audiência, os demais participantes do painel - como Roberto Azevêdo, representando a Confederação Nacional da Indústria - e a resposta diplomática do Itamaraty, que classificou as críticas americanas ao Pix e ao Supremo Tribunal Federal como alheias ao comércio. Também registrou que o governo brasileiro optou por enviar apenas observadores à audiência, mantendo o foco nos canais diplomáticos, e que o Palácio do Planalto divulgou nota classificando a atuação de Flávio como uma afronta aos interesses nacionais, destacando que ele foi o único entre os 34 brasileiros inscritos a não pedir o fim das tarifas.
Veículos de esquerda enquadraram a viagem como uma submissão do senador ao governo Trump e uma ameaça à soberania nacional, associando sua atuação e a de aliados como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo a uma articulação que teria contribuído para o próprio tarifaço, inclusive por meio de pedidos de sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Já veículos de direita, ainda que simpáticos à candidatura do senador, avaliaram que o discurso priorizou a disputa eleitoral em detrimento de argumentos técnicos, o que teria enfraquecido a posição negociadora do Brasil perante os americanos - leitura reforçada pela comparação com a viagem de Jair Bolsonaro à Rússia antes da guerra na Ucrânia.
Ainda não está definido se os Estados Unidos vão de fato aplicar a tarifa, aceitar o pedido de adiamento ou considerar as contrapropostas brasileiras, que incluem redução de tarifas de importação em setores como máquinas e equipamentos de saúde. Também não há certeza sobre o peso real da participação de Flávio na decisão final do USTR, esperada para os próximos dias.