Flávio Bolsonaro acena a Pablo Marçal enquanto TSE restringe candidatura
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Em sua primeira agenda de campanha na capital paulista, na quinta-feira 20 de agosto de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, chamou Pablo Marçal (PRTB) de “cara do bem, preparado e bem-intencionado” e disse que “todo mundo que está se unindo a favor do Brasil” deve ser acolhido. A declaração foi dada no Mercado Municipal de São Miguel Paulista, na zona leste, ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite e André do Prado. No mesmo dia, o Tribunal Superior Eleitoral determinou em caráter liminar que Marçal fique sem acesso ao fundo eleitoral e ao fundo partidário, sem horário gratuito em rádio e televisão e impedido de participar de debates até o julgamento definitivo do seu registro.
O candidato do PL à Presidência escolheu chamar de “cara do bem” um político condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico, no mesmo dia em que o Tribunal Superior Eleitoral cortou o acesso de Pablo Marçal ao dinheiro público de campanha e o proibiu de ir a debates.
Ao acenar a Pablo Marçal, Flávio Bolsonaro consolidou o movimento que mais interessa ao seu campo: unificar a direita em torno de uma única candidatura e transformar a eleição em plebiscito sobre o PT, e não em disputa pessoal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
5 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés à direita
Todos os lados registram os mesmos fatos: a citação literal de Flávio Bolsonaro sobre Pablo Marçal, a agenda no Mercado Municipal de São Miguel Paulista com o prefeito Ricardo Nunes, a inelegibilidade de Marçal até 2032 por abuso de poder político e econômico em 2024, e a liminar do Tribunal Superior Eleitoral que no mesmo dia cortou fundo eleitoral, horário gratuito e presença em debates.
Em sua primeira agenda de campanha na capital paulista, o candidato do PL à Presidência elogiou Pablo Marçal e pregou a união da direita contra o PT. Horas depois, o Tribunal Superior Eleitoral proibiu o candidato do PRTB de acessar o fundo eleitoral, de aparecer no horário gratuito e de participar de debates até o julgamento do seu registro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, chamou Pablo Marçal (PRTB) de “cara do bem, preparado e bem-intencionado” na manhã de quinta-feira, 20 de agosto de 2026, durante sua primeira agenda de campanha na cidade de São Paulo. A declaração foi dada a jornalistas no Mercado Municipal de São Miguel Paulista, na zona leste da capital, onde o senador estava acompanhado do prefeito Ricardo Nunes (MDB), dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite e André do Prado e do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. “Todo mundo que está se unindo a favor do Brasil, a gente tem que abraçar”, disse o candidato, que definiu a eleição como um confronto “entre o Brasil e o PT”, e não entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O aceno ocorreu no mesmo dia em que a Justiça Eleitoral apertou o cerco sobre o destinatário do elogio. O Tribunal Superior Eleitoral determinou, em caráter liminar, que Marçal fique impedido de acessar o Fundo Especial de Financiamento de Campanha e o Fundo Partidário, de aparecer no horário eleitoral gratuito em rádio e televisão e de participar de debates, até que a Corte julgue em definitivo o registro de sua candidatura. Marçal está inelegível até 2032 por condenação por abuso de poder político e econômico na campanha de 2024 à Prefeitura de São Paulo, decisão mantida por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo em 5 de agosto deste ano. Ele conseguiu registrar a candidatura no último dia do prazo, amparado por liminar que reconheceu sua filiação ao PRTB com efeito retroativo, e o Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação alegando tanto a inelegibilidade quanto a falha na comprovação de filiação.
Toda a cobertura converge nesses pontos: a citação literal, o local do ato, a presença do prefeito da capital, a ausência do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na parte da manhã, que estava em uma sabatina, e a decisão do Tribunal Superior Eleitoral tomada horas depois. Também há convergência sobre o histórico da rivalidade: Marçal atacou Flávio Bolsonaro e Ricardo Nunes na disputa municipal de 2024 e depois pediu desculpas, tema que o prefeito tratou como “página virada”, invocando a condição de cristão dos três nomes do grupo.
A divergência aparece no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram a contradição entre o adjetivo “do bem” e o passado recente do elogiado, lembrando que ele encerrou a campanha de 2024 apresentando um laudo falso e acusando sem provas Guilherme Boulos (PSOL) de uso de drogas, e sustentaram que a candidatura do PRTB funcionaria na prática como anteparo, absorvendo ataques de outros postulantes de direita. Veículos de direita enfatizaram o cálculo eleitoral do gesto: a zona leste é onde Marçal foi o mais votado em 2024 e onde o prefeito ficou em segundo lugar no distrito visitado, e a aliança com Ricardo Nunes dá capilaridade na periferia, com meta de cerca de 3 milhões de votos na capital. A cobertura de centro relatou o episódio de forma mais descritiva, encadeando a declaração, a agenda, o programa municipal de segurança alimentar que o candidato promete replicar no país e a cronologia das decisões judiciais.
Outro ponto de tensão foi a prestação de contas do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro, que recebeu recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Questionado, o senador afirmou que o documento vazou do processo, que “estava tudo certinho” e que quem deve explicações é o presidente, citando tratativas envolvendo a presidência do Banco Central. A produtora declarou à Justiça que o longa custou 75 milhões de reais, dos quais 54 milhões foram gastos no exterior. O senador havia prometido apresentar um relatório sobre o financiamento e não o fez até agora. Do lado de fora do mercado, cerca de uma centena de manifestantes protestou contra o senador e, sobretudo, contra o governador, dizendo não ter vínculo partidário e citar temas como violência policial.
O que ainda não se sabe é o desfecho de mérito do registro de Marçal no Tribunal Superior Eleitoral, sem data anunciada, e se o candidato do PL formalizará algum tipo de aliança com o PRTB caso a candidatura seja barrada. Também não há resposta pública do governo federal ou do PT às acusações feitas na agenda, nem a apresentação do relatório de contas do filme prometido pelo senador.
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