O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal e relator do caso, enviou nesta semana à Advocacia-Geral da União um documento que reforça o pedido do governo brasileiro para extraditar a ex-deputada Carla Zambelli, que hoje está na Itália. A manifestação será encaminhada à Justiça italiana, que deve julgar o novo pedido nas próximas semanas.
O documento, entregue à AGU na terça-feira, oferece as garantias processuais exigidas pela Itália. Gilmar Mendes informou que, se extraditada, Zambelli cumprirá pena na Penitenciária Feminina de Brasília, descrita como local em boas condições, e terá acesso a seu defensor, a familiares e à representação diplomática italiana. O ministro também destacou que a condenação foi decidida pelo plenário da Corte e que não houve nulidades processuais.
O novo pedido trata da segunda condenação de Zambelli, a cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. A cobertura de centro relatou de forma factual o conteúdo do documento e o trâmite entre STF, AGU e a Justiça da Itália, com base no acesso direto às informações enviadas pelo relator.
Veículos de esquerda enfatizaram que o caso nasce da perseguição armada ao jornalista Luan Araújo, ocorrida às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, e apresentaram a iniciativa do STF como esforço legítimo para responsabilizar uma parlamentar condenada, impedindo que a dupla cidadania vire instrumento para escapar da pena. Nessa leitura, as garantias oferecidas à Itália retiram qualquer argumento humanitário contra a entrega.
O ângulo que tende a ser destacado por veículos de direita parte do precedente recente: no mês passado, a Corte de Cassação italiana negou outro pedido de extradição, ligado à primeira condenação de Zambelli, a dez anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça em 2023. Os magistrados italianos apontaram parcialidade do ministro Alexandre de Moraes, afirmando que ele teria atuado como juiz e vítima naquele processo. Esse questionamento à imparcialidade do Supremo é o ponto que costuma ancorar a leitura crítica à atuação da Corte.
O que ainda não se sabe é como a Justiça italiana receberá o novo pedido, que trata de condenação distinta da já rejeitada, e em que prazo o julgamento ocorrerá. Também não há, nas reportagens, manifestação atualizada da defesa de Zambelli sobre o documento enviado por Gilmar Mendes à AGU.