O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na terça-feira, 23 de junho de 2026, da inauguração da primeira etapa da nova rodovia na Serra das Araras, no Rio de Janeiro. O ato, realizado em Paracambi, marca uma fase da modernização da Via Dutra, o corredor que liga os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Nesta etapa, entrou em operação um trecho de quatro quilômetros da nova pista de subida, no sentido São Paulo.
O investimento da etapa é de R$ 1,5 bilhão, viabilizado por financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. O projeto em toda a concessão, de 626 quilômetros, conta com apoio de R$ 10,7 bilhões do banco. As obras na Rodovia Presidente Dutra já alcançaram 70% de execução, com previsão de entrega total para 2027. Segundo os dados oficiais, a região recebe cerca de 390 mil veículos por mês, dos quais 36% são de carga, e a obra gera por volta de 5 mil empregos diretos e indiretos.
A cobertura de veículos de esquerda destacou o papel do Estado como indutor de investimento. A Agência Brasil reproduziu a fala de Lula em defesa do BNDES como banco de desenvolvimento: o presidente afirmou que esse tipo de banco existe justamente para criar as condições de emprestar dinheiro às empresas que fazem as obras de que o país precisa. Nesse enquadramento, ganham relevo a geração de empregos, o fortalecimento da economia regional e a função pública do financiamento em projetos estratégicos de infraestrutura e logística.
Veículos de direita, como o R7, trataram o episódio de forma mais factual e enxuta, registrando a participação do presidente na inauguração de um novo trecho da Dutra e o avanço das obras, com a previsão de oito faixas de rolamento. A cobertura de centro, igualmente, ateve-se ao fato e aos números do projeto, sem enquadramento ideológico. Lido pela ótica crítica, o ato chama atenção por ser a entrega de uma obra ainda inacabada, executada sob regime de concessão pela iniciativa privada, com conclusão prevista apenas para 2027. Na ocasião, Lula respondeu a questões sobre o banco público ao afirmar que a inadimplência do BNDES é zero, porque ele só empresta a quem tem condições de pagar.
O que ainda não se sabe é o cronograma detalhado das próximas etapas até a entrega de 2027, os custos finais e eventuais reajustes do contrato de concessão, além do impacto efetivo sobre tarifas e tempo de viagem no corredor Rio–São Paulo. As fontes disponíveis também não trazem contraponto técnico independente sobre o ritmo e a qualidade da execução das obras.