Uma reportagem da Agência Pública revelou que o governo de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), vende imóveis públicos por meio do Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo, o FIISP, uma plataforma que, segundo a apuração, oferece pouca transparência sobre orçamento, laudos de avaliação e critérios de venda.
Até o momento, apenas a Agência Pública cobriu o caso com profundidade, relatando que o fundo funciona como uma das modalidades de comercialização do patrimônio imobiliário estadual, ao lado de leilões e venda direta. Entre os bens listados estão terrenos de escolas técnicas, fazendas, prédios comerciais e residenciais, além de um edifício histórico no Centro de São Paulo, o antigo prédio do Banco de São Paulo, tombado pelo Condephaat, que hoje abriga a Secretaria Estadual de Esportes e deve ser retirado do fundo para passar por reforma e futuro uso privado.
A reportagem descreve que o site do FIISP apresentava, até recentemente, falhas como fotos trocadas, endereços incompletos e imóveis do interior listados como se fossem da capital. Questionada, a Secretaria de Gestão e Governo Digital, à qual o fundo é vinculado, levou quatro dias para responder e, nesse intervalo, o site foi atualizado e parte dos erros corrigidos. Em nota oficial, a secretaria afirmou que as informações dos fundos de investimento são públicas por meio do sistema da Comissão de Valores Mobiliários, mas a apuração aponta que esses dados aparecem dispersos entre leis, cartórios, autarquias e sistemas de terceiros, dificultando o acesso.
O texto também recupera um episódio anterior: depois que o deputado estadual Carlos Giannazi, do PSOL, denunciou anúncios de venda de imóveis como o Instituto Butantan, o Palácio dos Bandeirantes e o Hospital das Clínicas, o governo retirou os anúncios do ar e desativou o antigo portal que reunia essas ofertas, migrando a comercialização para o FIISP.
A cobertura cita ainda uma gestora de carteiras não identificada, segundo a qual o fundo cumpriria apenas as obrigações legais mínimas de divulgação, sem oferecer informação além do exigido por lei. O governador já defendeu publicamente a venda de imóveis classificados como subutilizados, argumentando que o apego patrimonial excessivo seria uma lógica ultrapassada da administração pública.
O que ainda não se sabe é o valor total do patrimônio colocado à venda pelo fundo, os critérios usados nos laudos de avaliação dos imóveis e se a Comissão de Valores Mobiliários efetivamente fiscaliza o funcionamento do FIISP, ponto levantado pela fonte ouvida pela reportagem. Também não há, até agora, posicionamento direto do Palácio dos Bandeirantes sobre as críticas específicas de falta de transparência, nem confirmação de quais outros imóveis públicos entrarão na lista de leilões.