A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reacendeu nesta semana uma crise familiar que se arrasta desde 2021. Em vídeos publicados nas redes sociais na quarta-feira, 24 de junho de 2026, ela relatou ter sido humilhada, desrespeitada e maltratada pelo enteado Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro. A declaração veio em meio à pré-campanha de Flávio à Presidência da República e enquanto o filho mais velho do ex-presidente ainda tenta se recuperar do desgaste provocado por áudios vazados que revelaram sua relação com o empresário Daniel Vorcaro.
Os veículos de cobertura factual, de centro, relataram que os atritos entre Michelle e os quatro filhos de Jair Bolsonaro vêm a público desde julho de 2021, segundo apurações do portal Metrópoles e do blog de Andreia Sadi, no g1. À época, a tensão no casamento foi atribuída justamente à relação da ex-primeira-dama com os filhos do então presidente. Michelle e Carlos Bolsonaro já não se falavam; com Jair Renan, o caçula, ela nunca teve boa relação, chegando a vetar que ele morasse no Palácio da Alvorada.
A cronologia inclui episódios públicos sucessivos. Em agosto de 2021, Michelle e Carlos se desentenderam durante uma internação de Jair Bolsonaro em São Paulo. Em janeiro de 2022, ela criticou uma transmissão sem intérprete de Libras administrada por Carlos. Ainda em 2022, houve atrito com Jair Renan por causa do uso do sobrenome Bolsonaro em campanha, episódio envolvendo Ana Cristina Valle, segunda esposa do ex-presidente.
O desgaste mais grave, porém, tem raiz eleitoral. Veículos de esquerda enfatizaram que a crise expõe o racha interno do campo conservador às vésperas das eleições de 2026, com disputas por palanques e estratégias que fragmentam o bolsonarismo. O primeiro grande atrito com Flávio ocorreu no Ceará: em novembro de 2025, Michelle criticou a aliança do PL com Ciro Gomes e defendeu a candidatura de Eduardo Girão, do Novo, ao governo estadual. No dia seguinte, Flávio chamou a madrasta de autoritária. Em Santa Catarina, após o PL definir Carlos como pré-candidato ao Senado, Michelle demonstrou apoio a adversários dele, como a deputada Caroline de Toni e o senador Espiridião Amin.
Os veículos de direita enfatizaram que, apesar das divergências, há gestos de reaproximação e que a unidade conservadora segue como objetivo. Flávio afirmou ter telefonado, pedido desculpas e dito estar de coração aberto para uma conversa. Em janeiro de 2026, ele defendeu publicamente a união do campo conservador e disse que Michelle desempenha um papel importantíssimo nesse grupo político. Michelle, por sua vez, declarou já ter perdoado o enteado, embora os dois sigam sem contato. Ela também reivindicou protagonismo próprio, citando sua atuação à frente do PL Mulher, a instalação de diretórios nas 27 unidades da federação e a contribuição para eleger mais de mil mulheres em 2024.
O embate com Eduardo Bolsonaro também ganhou contornos públicos. Em fevereiro de 2026, o deputado criticou a falta de apoio de Michelle à pré-candidatura presidencial de Flávio. No dia seguinte, ela publicou um vídeo preparando banana frita, gesto interpretado por aliados como provocação ao parlamentar, apelidado de bananinha por adversários.
O que ainda não se sabe é se a reaproximação proposta por Flávio terá efeito prático e como a crise afetará a composição de palanques do PL nos estados em 2026. Também permanece em aberto qual será o papel de Michelle na campanha presidencial da família e se os atritos com Carlos e Eduardo serão superados antes do calendário eleitoral.