Impeachment de Dilma Rousseff completa 10 anos com revisão de votos no Senado
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
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Como decidimos →Para a leitura à esquerda, 31 de agosto de 2016 marca a ruptura institucional que retirou do poder a primeira mulher eleita presidente do Brasil, reeleita em 2014 com 54,5 milhões de votos, sem que houvesse crime pessoalmente atribuído a ela. O argumento central é a perícia do próprio Senado, que confirmou os atrasos no Plano Safra mas não identificou ato de Dilma Rousseff na operação, e a sessão da Câmara em que deputados dedicaram votos a familiares e a instituições religiosas, entre eles Jair Bolsonaro, que homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi de São Paulo durante a ditadura, período em que Dilma foi presa e torturada. O afastamento é apresentado como porta de entrada para o desmonte de direitos aplicado a partir de 2016 e para a ascensão da extrema direita, leitura consolidada na publicação da Fundação Perseu Abramo que marca a data.
Na leitura à direita, o que ocorreu em 2016 foi um rito constitucional cumprido integralmente, com maioria qualificada em duas Casas, ampla defesa e supervisão do Supremo Tribunal Federal. A condenação por 61 votos a 20 superou com folga os 54 exigidos, e a perícia do Senado confirmou que três decretos de crédito suplementar assinados pela presidente eram incompatíveis com a meta de resultado primário, fundamento suficiente para o crime de responsabilidade fiscal, independentemente da autoria direta nas pedaladas.
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Veículos com viés à esquerda
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Os dois lados registram os mesmos fatos centrais: o Senado condenou Dilma Rousseff por 61 votos a 20 em 31 de agosto de 2016, ela manteve os direitos políticos porque a inabilitação não alcançou os 54 votos exigidos, Michel Temer completou o mandato até 2018 e boa parte dos 81 senadores daquela sessão continua na vida pública dez anos depois.
Em 31 de agosto de 2016, o Senado aprovou por 61 votos a 20 o impeachment de Dilma Rousseff. Uma década depois, quatro senadores que votaram pela cassação criticam o resultado, Eduardo Cunha tenta voltar à Câmara e a disputa sobre o significado daquele dia entra na eleição de 2026, com leituras opostas à esquerda e à direita.
Dez anos depois, a votação que encerrou o segundo mandato de Dilma Rousseff voltou ao centro do debate político brasileiro. Em 31 de agosto de 2016, os 81 senadores decidiram por 61 votos a 20 pela condenação da primeira mulher eleita presidente do Brasil, reeleita em 2014 com 54,5 milhões de votos. A acusação formal tratava da edição de decretos de crédito suplementar incompatíveis com a meta de resultado primário e dos atrasos nos repasses do Tesouro ao Banco do Brasil para o Plano Safra, as chamadas pedaladas fiscais. Eram necessários 54 votos para a cassação, e o placar superou esse mínimo.
O processo havia começado em 2 de dezembro de 2015, quando o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aceitou o pedido apresentado por Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal. Em 17 de abril de 2016, a Câmara autorizou a continuidade por 367 votos a 137, com sete abstenções. Em 12 de maio, o Senado instaurou o processo por 55 a 22 e afastou a presidente, com a posse do vice Michel Temer como interino. O julgamento final durou seis dias, e Dilma Rousseff compareceu pessoalmente ao plenário em 29 de agosto para responder aos parlamentares. Houve ainda uma segunda deliberação, sobre a inabilitação para funções públicas por oito anos: a punição recebeu 42 votos favoráveis, 36 contrários e três abstenções e, por não alcançar os 54 exigidos, não foi aplicada. Ela perdeu o mandato e manteve os direitos políticos. Horas depois, Michel Temer tomou posse em definitivo e completou o mandato até o fim de 2018.
Toda a cobertura converge sobre esses números, sobre a conclusão da junta pericial do próprio Senado, formada em junho de 2016, e sobre o fato de que boa parte dos senadores daquela sessão segue na vida pública. Os peritos apontaram que três decretos assinados pela presidente eram incompatíveis com a meta de resultado primário e, ao mesmo tempo, confirmaram os atrasos no Plano Safra sem identificar ato dela nessa operação.
É a partir desse ponto que os enquadramentos se separam. Veículos de esquerda trataram a data como aniversário de um golpe, deram destaque ao trecho da perícia que não atribuiu autoria à presidente, relembraram a sessão da Câmara em que deputados dedicaram votos a familiares e a instituições religiosas, entre eles Jair Bolsonaro, que homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, e ligaram o afastamento ao desmonte de direitos aplicado depois de 2016 e à ascensão da extrema direita. Essa leitura foi reforçada pelo lançamento, na mesma data, de um livro da Fundação Perseu Abramo com 16 artigos sobre as origens, os mecanismos e as consequências do processo. A cobertura de centro relatou o balanço pelos números e pela cronologia, sem aderir a nenhum dos dois vocabulários, e organizou a efeméride em torno do destino dos 81 senadores que votaram. Veículos de direita mantiveram o registro factual e evitaram a palavra golpe, tratando 2016 como rito constitucional encerrado e destacando o realinhamento político posterior de parte dos que votaram pela cassação, caso de Simone Tebet, então no MDB, que se tornou ministra de Luiz Inácio Lula da Silva e agora disputa uma vaga ao Senado por São Paulo com apoio dele.
A disputa sobre 2016 também chegou à campanha de 2026 por outro caminho. Flávio Bolsonaro apareceu em vídeo de apoio a Eduardo Cunha, que tenta voltar à Câmara por Minas Gerais, exaltando o papel do ex-presidente da Casa na abertura do processo. Ao mesmo tempo, ao menos quatro integrantes do grupo dos 61 passaram a criticar publicamente o resultado ou seus efeitos: Renan Calheiros, que presidia o Senado em 2016, Tasso Jereissati, Aloysio Nunes Ferreira, que afirmou ter sido melhor deixar a presidente concluir o mandato e derrotar o PT nas urnas, e Cristovam Buarque, que reconheceu erro político com ressalvas.
O que ainda não se sabe é quantos dos 61 mudaram efetivamente de posição além dos quatro identificados, já que a maioria não se pronunciou sobre o assunto nesta efeméride. Também não há detalhamento público sobre como cada um dos senadores em atividade pretende tratar o tema durante a campanha de 2026, nem manifestação da própria Dilma Rousseff, hoje na presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco do Brics, para o qual foi reeleita em 2025 com mandato até julho de 2030.
Há 10 anos, Senado aprovava o impeachment de Dilma Rousseff. Perícia, votação e reações mostram por que o golpe ainda marca o país.

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