O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, voltou a atacar a gestão do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, em entrevista ao site ICL Notícias na segunda-feira. Segundo Haddad, a imagem de bom gestor construída por Tarcísio se sustenta sobre a falta de escrutínio: para o petista, ao examinar cada área do governo paulista, é possível encontrar falhas que contradizem a reputação do adversário. "Em todas as áreas no governo dele há problemas", declarou.
O ponto central das críticas é a privatização da Sabesp, concluída no início do mandato. Haddad classificou a operação como um potencial escândalo, afirmando que a tarifa de água aumentou e o serviço piorou para os usuários paulistas. Ele também comparou o desempenho de Tarcísio à frente do Ministério dos Transportes com o do sucessor, Renan Filho, dizendo que este entregou três vezes mais obras. Na segurança pública, apontou o cancelamento do programa Muralha Paulista, que descreveu como a menina dos olhos da área. Haddad ainda sugeriu que o governador se dedicou à ambição de disputar a Presidência pelo grupo bolsonarista e se esqueceu de governar o estado.
A cobertura de centro, como a do G1, relatou os fatos com paridade: reproduziu as falas de Haddad entre aspas, atribuiu a fonte da entrevista e trouxe a réplica de Tarcísio. O governador rebateu que o adversário precisa estudar antes de criticar e defendeu a transferência da Sabesp à iniciativa privada, questionando por que tão pouco foi feito no saneamento sob a gestão estatal, por que o Rio Tietê não foi despoluído e por que moradores de favelas e áreas rurais ficavam fora dos contratos da companhia.
Os enquadramentos divergem. Veículos de direita destacaram a fala de Haddad como um ataque de adversário eleitoral, usando termos como "voltou a atacar", e ecoaram a defesa da privatização como resposta à ineficiência do modelo estatal e ganho de produtividade. Veículos e leituras de esquerda enfatizaram o outro ângulo: a privatização teria encarecido a conta de água e penalizado a população mais vulnerável, reforçando o papel do Estado no saneamento e a denúncia de que o governador priorizou a própria candidatura em detrimento dos paulistas.
O que ainda não se sabe é o efeito eleitoral concreto dessa troca de acusações na corrida de 2026, nem há, no material coberto, dados independentes que confirmem ou refutem a alegação de que a tarifa subiu e o serviço piorou após a privatização. A disputa segue em aberto enquanto os dois lados consolidam suas narrativas sobre a gestão paulista.