O deputado federal Sandro Alex (PSD), ex-secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, consolidou nos últimos dias de junho e início de julho de 2026 sua pré-candidatura ao governo do estado, com o apoio do governador Ratinho Junior. Em uma sequência de agendas, ele apresentou como plataforma a continuidade do modelo de gestão do atual governo, com prioridade para logística, grandes obras, integração comercial com o Paraguai e investimento nas universidades estaduais.
Em bate-papo na Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná, Sandro Alex defendeu a continuidade dos grandes projetos de infraestrutura. Ele citou a Ponte de Guaratuba, a Ponte da Integração em Foz do Iguaçu, novas concessões de rodovias e diversas duplicações. Segundo o pré-candidato, o governo executou mais de R$ 30 bilhões em obras porque, em suas palavras, 'fez a lição de casa, cortou gastos e separou recursos para logística como prioridade'. Ele também destacou o crescimento do Porto de Paranaguá, que movimentou 73,5 milhões de toneladas em 2025, o maior volume de sua história, puxado pela soja, milho e açúcar do agronegócio. Em outra agenda, na Universidade Estadual de Ponta Grossa, anunciou a entrega de R$ 32,2 milhões em investimentos e afirmou que o orçamento do ensino superior estadual passou de R$ 2 bilhões para R$ 4,7 bilhões.
Há pontos em que as diferentes coberturas convergem: todas descrevem Sandro Alex como o nome indicado por Ratinho Junior para representar a continuidade do grupo no Palácio Iguaçu, e todas registram sua trajetória de mais de sete anos à frente da Secretaria de Infraestrutura. Os números de obras, do porto e do comércio com o Paraguai (US$ 1,5 bilhão em 2025) aparecem de forma semelhante nos relatos.
A divergência está no enquadramento. Veículos de direita, incluindo material do próprio PSD, enfatizaram a eficiência fiscal, a atração de investimentos privados e a abertura comercial como marcas de um modelo de sucesso a ser mantido, com vocabulário de competitividade e livre iniciativa. A cobertura de centro, em veículos regionais, relatou de forma sobretudo factual as agendas de campanha, os valores entregues e o histórico do candidato com a UEPG, sem tom valorativo marcado. Já veículos de esquerda destacaram a fragilidade da candidatura como herança da máquina estatal: a análise de bastidor aponta que o fim do prazo dos convênios eleitorais, em 4 de julho, previsto na Resolução 23.760/2026 do Tribunal Superior Eleitoral, pressiona a base governista, já que prefeitos e deputados dependentes de repasses voluntários poderiam migrar para outros palanques. Essa leitura também ressaltou a ausência de Ratinho Junior, em viagem aos Estados Unidos em momento sensível, com Darci Piana assumindo interinamente o governo.
O que ainda não se sabe é como a base governista vai se comportar depois de 4 de julho, quantos aliados permanecerão com a candidatura oficial e de que forma adversários como Rafael Greca (MDB), Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT) vão disputar os apoios. As eleições estão marcadas para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.