Apresentadores e profissionais de rádio e televisão que pretendem concorrer nas eleições de outubro de 2026 têm até esta terça-feira, 30 de junho, para se afastar de seus programas. A exigência está prevista na Lei das Eleições e é fiscalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quem descumprir a regra pode ser multado e até ter o registro de candidatura indeferido.
A norma é direta: a partir de 30 de junho do ano da eleição, fica vedado às emissoras transmitir programa apresentado ou comentado por um pré-candidato. Trata-se da chamada desincompatibilização, mecanismo que busca evitar que quem tem palco garantido na mídia largue na frente dos demais concorrentes.
Entre os nomes que deixam a televisão para entrar na disputa está Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos. Ela se filiou ao PSD e será candidata a deputada federal por São Paulo, tendo se despedido no último sábado, 27, do comando do programa Sábado Animado, exibido pelo SBT. Outro apresentador que saiu foi Sikêra Júnior, que encerrou em 12 de junho sua participação em um programa policial. Segundo ele, o convite para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados partiu do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos. José Luiz Datena também deixou a televisão neste mês: a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) informou que o desligamento ocorreu a pedido do próprio apresentador, que pretende concorrer pelo PSB, em articulação do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ex-ministro Márcio França, vice na chapa de Fernando Haddad ao governo paulista.
A cobertura de centro, que concentra o noticiário desta história, relatou os fatos de forma factual: o prazo, a norma citada e a lista de nomes de diferentes partidos, sem tomar partido. Veículos de direita tenderam a enfatizar a renovação que essas candidaturas representam, com a chegada de personalidades populares e influenciadores que oxigenam a política e ampliam as opções do eleitor fora dos quadros partidários tradicionais, além de destacar a previsibilidade das regras, iguais para todos. Já uma leitura de esquerda enfatizaria a função protetora da norma, que impede o uso do alcance das emissoras como vantagem indevida na disputa, e olharia com cautela a aposta em popularidade e fama, que pode esvaziar o debate programático.
Além dos nomes conhecidos da TV, os partidos têm buscado fortalecer as chapas com influenciadores digitais e personalidades da mídia, apostando na popularidade para ampliar o desempenho em cargos proporcionais. A influenciadora fitness Gracyanne Barbosa, do Big Brother Brasil 2025, filiou-se ao Republicanos e quer disputar uma vaga na Câmara pelo Rio de Janeiro. Pelo mesmo partido, a socialite Val Marchiori confirmou pré-candidatura a deputada federal por São Paulo, com campanha voltada à saúde da mulher. Rico Melquiades, vencedor de A Fazenda em 2021, filiou-se ao PSDB e afirmou que pretende defender a ampliação do acesso à cirurgia plástica pelo SUS caso seja eleito deputado federal por Alagoas.
O que ainda não se sabe é quantos desses pré-candidatos vão de fato formalizar o registro, se todos cumpriram o prazo dentro da regra e como os partidos vão acomodar essas candidaturas nas chapas até o fim do período de convenções.