O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou lamentar a ausência de um nome do PSDB na disputa estadual de 2026. A declaração foi dada em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, e ganhou repercussão após as recentes desistências de Paulo Serra, do PSDB, e de Kim Kataguiri, da Missão, da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.
Na entrevista, Haddad disse que torcia para que o PSDB tentasse 'ressurgir' e que lamentou o partido não ter 'nem ensaiado uma retomada'. Sobre Kataguiri, foi direto: classificou o ex-deputado como uma pessoa 'frágil, inexperiente e de pouca expressão pública'. Ao mesmo tempo, prestou reverência ao PSDB histórico, citando o vice-presidente Geraldo Alckmin, hoje no PSB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador Mário Covas como 'referências éticas e de valores', apesar das divergências ideológicas que marcaram duas décadas de polarização entre PT e PSDB, de 1994 a 2014.
A cobertura de centro, representada pelo Poder360, relatou o episódio de forma factual e acrescentou um trecho decisivo: Haddad afirmou que o espaço antes ocupado pelos tucanos nos governos estaduais foi tomado por nomes que, segundo ele, 'não comungam' valores como a verdade, a democracia e a luta contra a violência. Citou nominalmente o governador do Rio, Cláudio Castro, do PL, o governador de Minas, Romeu Zema, do Novo, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, dos Republicanos. Essa cobertura também registrou que, com a saída de Serra, o PSDB fica sem candidato próprio à disputa.
Veículos de direita, como a Revista Oeste, enfatizaram outro ângulo: a desistência de Paulo Serra abre caminho para um possível apoio do PSDB paulista à candidatura de reeleição de Tarcísio de Freitas. Nessa leitura, o vácuo deixado pelos tucanos reforça o favoritismo do atual governador, que segundo pesquisas citadas venceria Haddad em um eventual segundo turno. A mesma cobertura recuperou o histórico de embates eleitorais entre Haddad e o PSDB: em 2012, o petista derrotou José Serra no segundo turno e elegeu-se prefeito de São Paulo; em 2016, foi derrotado por João Doria ainda no primeiro turno ao tentar a reeleição.
As duas coberturas convergem no fato central: o PSDB, que polarizou a política nacional com o PT por vinte anos, deixa de ter candidato ao governo do estado que governou por décadas, e Haddad busca ocupar o discurso de defesa de valores institucionais. Divergem na ênfase. A leitura de centro destaca a crítica de Haddad à direita governista atual e o esvaziamento do partido. A leitura de direita destaca o cálculo eleitoral por trás do lamento e o ganho concreto que a saída tucana representa para Tarcísio.
Ainda não se sabe se o PSDB de São Paulo formalizará apoio à reeleição de Tarcísio, nem se o eleitorado de centro órfão migrará para o governador ou para Haddad. Também permanece em aberto como ficará a composição final das chapas, tema que o PT discute em reuniões envolvendo Lula e o ministro Márcio França.