A mineradora australiana Lynas Rare Earths anunciou na quarta-feira, 30 de setembro, um acordo para adquirir a também australiana Meteoric Resources por cerca de 968 milhões de dólares australianos, o equivalente a aproximadamente R$ 3,5 bilhões. Com a operação, a Lynas passa a controlar o Projeto Caldeira, de terras raras, em Caldas, no Sul de Minas Gerais. Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, relatando que o negócio coloca a região no centro da disputa internacional por esses minerais críticos.
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos, entre eles o neodímio, o praseodímio, o térbio e o disprósio. Parte deles é essencial para ímãs permanentes usados em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Segundo a cobertura, a China concentra cerca de 70% da produção mundial e quase 90% do processamento e da fabricação de ímãs, e Estados Unidos e União Europeia buscam novos fornecedores.
O interesse pelo Planalto de Poços de Caldas, que abrange Poços de Caldas, Caldas e Andradas, em Minas Gerais, e Águas da Prata, em São Paulo, vem da geologia. A caldeira de um vulcão extinto guarda depósitos em argila iônica perto da superfície. Isso permite minas a céu aberto e torna a extração mais fácil e mais barata do que em jazidas fora do Brasil. Estimativas citadas apontam que o depósito poderia atender até 20% da demanda global.
Três grupos australianos têm projetos estruturados na região. Além do Projeto Caldeira, a Viridis Mining and Minerals desenvolve o Projeto Colossus, em Poços de Caldas, e a Power Minerals concluiu em abril a compra do projeto Morro do Ferro por cerca de R$ 80 milhões. Os projetos Caldeira e Colossus estão em licenciamento ambiental, com previsão de operar em 2028. Dados da Agência Nacional de Mineração, a ANM, indicam 1.882 autorizações de pesquisa de terras raras no Brasil em 2025, 361 delas em Minas Gerais, com cerca de um terço das mineiras concentradas na região de Poços de Caldas.
A matéria tem enfoque econômico e geológico, centrado nas empresas e no potencial da jazida. Ela não traz a avaliação do governo federal nem de autoridades estaduais sobre o avanço do capital estrangeiro, e não ouve moradores ou especialistas sobre impactos socioambientais. Como nenhum veículo de outro campo publicou sobre a aquisição até agora, não há enquadramentos concorrentes a comparar neste caso.
Ainda não se sabe qual será o volume efetivamente explorável. O geólogo Álvaro Fochi estima que a cratera de cerca de 800 quilômetros quadrados poderia gerar até 300 milhões de toneladas de terras raras, mas cada projeto ainda depende de pesquisa, estudos de viabilidade e licenciamento. A cobertura também não detalha onde o minério será processado nem quanto a atividade deve render aos municípios da região.