O governo do Irã responsabilizou os Estados Unidos pela nova troca de ataques registrada na sexta-feira e classificou a operação militar americana como uma violação flagrante do memorando de entendimento firmado entre os dois países em meados de junho. Segundo Teerã, forças iranianas atingiram posições americanas na região, enquanto o Exército dos Estados Unidos bombardeou diversos alvos das forças de vigilância costeira da República Islâmica, na costa sul do país.
A cobertura de centro relatou que os Estados Unidos justificaram os bombardeios como resposta a novos ataques iranianos contra navios no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do comércio mundial de energia. O Irã, por sua vez, afirmou apenas estar ordenando que as embarcações sigam as rotas estabelecidas por Teerã no estreito. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano sustentou que a ação americana constitui uma violação do parágrafo 4 do artigo 2 da Carta das Nações Unidas e do protocolo de acordo assinado entre as partes, e advertiu que defenderá a soberania e a segurança nacionais com todas as suas forças, classificando qualquer reação armada como ataque defensivo.
Os relatos convergem em pontos centrais: houve uma troca de bombardeios, o Irã acusa os Estados Unidos de romper o acordo de cessar-fogo, e Washington alega ter agido para proteger a navegação no Estreito de Ormuz. O comunicado iraniano também denunciou ataques simultâneos de Israel no Líbano e cobrou dos países da costa sul do Golfo Pérsico que não permitam o uso de seus territórios para agressões contra a República Islâmica.
É na atribuição de responsabilidade que as ênfases de cobertura divergem. Veículos de esquerda tendem a destacar a denúncia iraniana de violação do direito internacional e a leem como mais um episódio de agressão de uma potência militar ocidental no Oriente Médio, com risco às populações civis da região. Veículos de direita enfatizam que a reação americana foi resposta a provocações de Teerã, que estaria hostilizando navios e ameaçando a livre navegação numa rota vital, e tratam a retórica iraniana de violação do acordo com ceticismo. A cobertura de centro se ateve ao relato factual das duas versões, sem aderir a nenhuma delas.
O que ainda não se sabe é o teor exato do memorando de entendimento citado por Teerã, a extensão dos danos e eventuais vítimas dos bombardeios, e se há registro independente que confirme a sequência dos ataques apresentada por cada lado. Também permanece em aberto qual será o próximo passo diplomático ou militar após o agravamento das tensões.