Israel e Líbano assinaram nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026, um acordo-quadro em Washington com o objetivo de abrir caminho para o fim dos confrontos entre Israel e o Hezbollah. O documento foi firmado no Departamento de Estado pelos embaixadores libanês e israelense nos Estados Unidos, Nada Moawad e Yechiel Leiter, ao lado de representantes do governo estadunidense, após vários dias de negociações mediadas por Washington. Antes da assinatura, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o entendimento representa apenas o início de um processo que classificou como difícil, mas necessário para alcançar uma solução duradoura.
A cobertura de centro relatou que os participantes não divulgaram o conteúdo do acordo nem esclareceram em que medida ele difere do cessar-fogo firmado em 16 de abril, que serviu de base para as rodadas de negociação. Segundo a representante libanesa, o documento constitui um primeiro passo para restaurar a soberania e a integridade territorial do Líbano, consolidar um cessar-fogo permanente e permitir o retorno da população deslocada.
Há pontos em que as diferentes leituras convergem. A fase atual do conflito começou em 2 de março, quando o Hezbollah lançou ataques contra território israelense em meio à escalada militar que também envolveu o Irã. Desde então, os bombardeios e ofensivas israelenses deixaram mais de 4 mil mortos no Líbano e provocaram o deslocamento de mais de um milhão de pessoas. As negociações em Washington também trataram de uma proposta para que Israel transfira ao Exército libanês parte das áreas ocupadas no sul do país, embora autoridades israelenses e libanesas tenham negado haver acordo de retirada de tropas.
É no enquadramento que as coberturas divergem. Veículos de esquerda destacaram o saldo humanitário, enfatizando as mortes de civis, o deslocamento em massa e a continuidade da ocupação israelense, descrita como agressão que persiste mesmo após o cessar-fogo. Nessa leitura, o acordo é sobretudo um caminho para restaurar a soberania libanesa e garantir o retorno seguro dos deslocados. Veículos de direita, por sua vez, tendem a enfatizar o papel dos Estados Unidos como mediadores, a contenção do Hezbollah e a presença militar israelense como medida de segurança, apresentando o acordo como passo inicial rumo à estabilidade regional. A cobertura de centro manteve o foco no fato em si, na ausência de detalhes oficiais e nas contradições entre as versões das partes.
Na mesma sexta-feira, forças israelenses lançaram panfletos sobre a cidade libanesa de Mansouri, determinando que os moradores deixassem a área, na primeira ordem desse tipo desde a entrada em vigor do cessar-fogo mais recente. Um oficial militar libanês afirmou que Israel incorporou recentemente a cidade à sua zona de ocupação.
O que ainda não se sabe é o teor concreto do acordo-quadro: nenhuma das partes divulgou o texto, não está claro como ele avança em relação ao cessar-fogo de abril, e permanece em aberto se e quando Israel transferirá efetivamente o controle de áreas no sul do Líbano ao Exército libanês.