A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, afirmou nesta segunda-feira, 13 de julho, que as críticas às suas viagens internacionais e aos gastos associados a elas nascem de "misoginia pura". A declaração foi dada em entrevista ao podcast Frente a Frente, da Folha de S.Paulo e do UOL. Segundo levantamento do Poder360, Janja acumulou 182 dias fora do Brasil desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva até maio, 24 dias a mais que o próprio presidente, que permaneceu 158 dias no exterior no mesmo período.
Janja disse que parte dos gastos atribuídos a ela na verdade correspondem à comitiva completa de uma viagem, e que viajar de classe executiva é exigência dos protocolos de segurança definidos pela Polícia Federal, não escolha pessoal. Ela afirmou prestar contas de toda a agenda e sustentou que o país nunca teve uma primeira-dama que exercesse a função de forma tão ativa, citando reuniões frequentes no Palácio do Planalto e viagens de trabalho ligadas ao combate à fome e à violência contra a mulher. Em abril, o Tribunal de Contas da União arquivou, por unanimidade, os processos que investigavam despesas e deslocamentos da primeira-dama, concluindo que não houve irregularidade. Na mesma entrevista, Janja voltou a relatar ter sofrido assédio em agendas oficiais e defendeu a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que criminaliza a misoginia, classificando a pauta como "apartidária".
A cobertura de centro, representada pela CNN Brasil, relatou o episódio de forma factual, reproduzindo as falas de Janja sobre segurança, transparência e o arquivamento pelo TCU, sem atribuir intenção às críticas recebidas por ela. Já veículos de direita, como a Revista Oeste, deram maior destaque aos números que comparam os dias de Janja no exterior aos do presidente e ao histórico de questionamentos de parlamentares da oposição, enquadrando o episódio como uma questão de fiscalização do uso de recursos públicos por uma figura sem cargo eletivo. Nessa mesma linha de divergência, é provável que veículos de esquerda, embora não tenham coberto o caso nesta leva de artigos, enfatizassem a desigualdade de cobrança entre homens e mulheres na vida pública e defendessem o histórico de atuação institucional de Janja em pautas sociais como contraponto ao que descreveriam como escrutínio desproporcional.
Ainda não há detalhamento público de quanto do total gasto em viagens internacionais é atribuível especificamente a Janja, em vez da comitiva presidencial como um todo, nem prazo definido para a votação do projeto de lei que criminaliza a misoginia na Câmara dos Deputados.