Duas pesquisas eleitorais divulgadas em junho de 2026 desenham o cenário das disputas de 2026 em diferentes níveis: o governo de Alagoas e a Presidência da República. Ambos os levantamentos têm registro na Justiça Eleitoral e metodologia divulgada, o que dá lastro aos números.
No plano estadual, a pesquisa do instituto TDL, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AL-04608/2026, aponta João Henrique Caldas, o JHC, do PSDB e ex-prefeito de Maceió, com 52% das intenções de voto em um eventual segundo turno pelo governo de Alagoas. O senador Renan Filho, do MDB, registra 37%. O levantamento entrevistou 1.200 pessoas entre 20 e 22 de junho de 2026, com margem de erro de 2,7 pontos percentuais e grau de confiança de 95%. A mesma pesquisa mediu a disputa pelas duas vagas ao Senado: o deputado Alfredo Gaspar, do PL, lidera com 40%, enquanto o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, do PP, e Renan Calheiros, do MDB, aparecem tecnicamente empatados.
No plano nacional, a pesquisa do instituto Gerp, registrada sob o número BR-09657/2026, mostra o presidente Lula, do PT, com 37% das intenções de voto no primeiro turno da disputa presidencial, ante 34% do senador Flávio Bolsonaro, do PL. Considerando a margem de erro de 2,19 pontos percentuais, trata-se de empate técnico. O instituto entrevistou 2.000 eleitores entre 15 e 20 de junho. No cenário estimulado, Ronaldo Caiado aparece com 4%, seguido de Renan Santos e Romeu Zema com 3% cada.
A cobertura de centro, representada pelo Poder360, relatou os números de forma estritamente factual, detalhando instituto, amostra, datas de campo, margem de erro, registro no TSE e até o contratante da pesquisa em Alagoas, sem reação dos candidatos nem análise de cenário. Já veículos de esquerda, como a CartaCapital, destacaram a liderança numérica de Lula sobre Flávio Bolsonaro e a estabilidade do petista ao longo das rodadas recentes do Gerp, ressaltando que em 5 de junho Flávio liderava por 35% a 34% e que o quadro se inverteu nas medições seguintes. Veículos de direita, por sua vez, enfatizariam a ampla vantagem de JHC em Alagoas como sinal de desgaste do grupo político tradicional ligado ao MDB e o empate técnico na corrida presidencial como prova de que o campo conservador disputa voto a voto a Presidência.
O ponto em que todos os lados convergem é o caráter competitivo das disputas: nenhuma das pesquisas aponta vencedor consolidado em nível nacional, e o cenário estadual alagoano mostra clara liderança de JHC. A divergência está no enquadramento: a esquerda lê a liderança numérica de Lula como tendência favorável, enquanto a direita destaca o empate técnico e a competitividade de Flávio.
O que ainda não se sabe é como esses números evoluirão até a eleição, se as vantagens registradas se sustentam e qual será o impacto das definições de palanque e alianças regionais. As pesquisas captam um retrato de junho de 2026, ainda distante da reta final da campanha.