O último dia do prazo fixado pela Justiça Eleitoral para as convenções partidárias de 2026, nesta quarta-feira, 5 de agosto, fechou duas chapas majoritárias em disputas estaduais distantes entre si, mas marcadas pelo mesmo movimento: a escolha de candidatos a vice com currículo técnico, capazes de encarnar uma bandeira específica de campanha. Em Minas Gerais, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, do PDT, confirmou o ex-deputado federal Carlos Mosconi, do PSDB, como companheiro de chapa na corrida ao Palácio Tiradentes. No Distrito Federal, o Partido Novo anunciou o delegado da Polícia Civil Rafael Sampaio como vice de Kiko Caputo.
A cobertura de centro relatou os dois anúncios com o mesmo desenho factual. Em Minas, a indicação foi confirmada pela equipe de campanha e consolidou uma negociação entre PDT e PSDB que se arrastava havia semanas. Médico formado pela Universidade de Brasília, com especialização em urologia, Mosconi exerceu quatro mandatos como deputado federal, foi relator da área de saúde na Assembleia Nacional Constituinte, deputado estadual, secretário de Saúde do Distrito Federal e presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais. Em nota, a campanha justificou a escolha pela trajetória do indicado na saúde pública, apontada como uma das prioridades de um eventual governo, e lembrou seu papel na articulação que criou o Sistema Único de Saúde.
No Distrito Federal, veículos de direita enfatizaram outro eixo. O anúncio do delegado Rafael Sampaio para a vice-governança foi apresentado como aposta deliberada do partido em capitalizar a segurança pública, tema recorrente entre os mais citados nas pesquisas de intenção de voto local. Sampaio é delegado da Polícia Civil do Distrito Federal há cerca de 20 anos, comandou a 38ª Delegacia de Polícia, em Vicente Pires, e passou por cargos na administração federal, incluindo a chefia de gabinete e a secretaria-executiva da Secretaria de Governo da Presidência da República. Em 2022, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e obteve 11.762 votos, insuficientes para se eleger. Ao comentar a indicação, defendeu enfrentar problemas com planejamento, gestão e valorização das instituições, enquanto o cabeça de chapa associou a escolha a uma promessa dirigida aos servidores públicos. A chapa se completa com o desembargador aposentado Sebastião Coelho na disputa por uma vaga no Senado.
As diferenças de enquadramento ficam no que cada cobertura escolhe destacar. A cobertura de centro deu mais espaço ao xadrez das alianças mineiras: o anúncio veio um dia depois de o deputado federal Aécio Neves comunicar que não concorrerá a nenhum cargo eletivo em 2026, encerrando 40 anos de mandatos consecutivos, e num momento em que o PDT ainda negociava com a federação PSOL-Rede e com o PSB os nomes para o Senado. Nessa leitura, ao atrair o PSDB para a coligação, o ex-prefeito tenta preservar um palanque próprio, mesmo com o apoio já declarado de seu partido à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já os veículos de direita trataram a chapa do Distrito Federal como um deslocamento programático para ordem pública e eficiência administrativa, sem contraditório de adversários. Até o fechamento desta reportagem, veículos de esquerda não haviam registrado nenhum dos dois anúncios, de modo que não há, no material disponível, leitura crítica sobre a compatibilidade entre a aliança mineira e o alinhamento nacional do PDT, nem sobre os limites de uma campanha centrada na resposta policial à violência.
O que ainda não se sabe é considerável. Nenhuma das coberturas informa quem serão os candidatos ao Senado na chapa mineira, se o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Jr. aceitará algum dos convites que recebeu ou como o PDT vai acomodar, no palanque estadual, o apoio formal à reeleição presidencial. No Distrito Federal, não há detalhamento das propostas de segurança pública da chapa nem informação sobre o desempenho do partido nas pesquisas locais. Com as convenções encerradas, os registros de candidatura passam a ser o próximo passo do calendário eleitoral.