Dois terremotos de grande magnitude atingiram a costa norte da Venezuela na última quarta-feira, deflagrando uma das maiores crises humanitárias recentes na América do Sul e mobilizando uma resposta internacional que tem o Brasil entre os protagonistas. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, um tremor de magnitude 7,2 ocorreu cerca de 160 quilômetros a oeste de Caracas e foi seguido, menos de um minuto depois, por outro de magnitude 7,5. Foram dois dos maiores abalos a atingir o país em mais de um século, sentidos também na Colômbia e no Brasil.
A cobertura de centro, representada pela CNN Brasil, relatou que pelo menos 920 pessoas morreram e mais de 1.400 ficaram feridas, com dois brasileiros entre as vítimas, uma delas identificada como Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos. O USGS projeta que o total de mortos pode chegar à casa dos milhares, com probabilidade significativa de ultrapassar 10 mil. A Organização Internacional para as Migrações, agência ligada à ONU, estima que até 6,76 milhões de pessoas podem ser afetadas, sendo cerca de 2 milhões só em Caracas.
O governo brasileiro respondeu com uma missão estatal. A Força Aérea Brasileira enviou uma aeronave KC-390 Millennium que pousou na base El Libertador, em Maracay, transportando médicos, cães farejadores, bombeiros dos estados e uma equipe de Busca e Resgate Urbano da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, além de especialistas da Anatel. A missão foi autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e conduzida pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. Estava previsto um novo voo com equipamentos para montagem de hospital de campanha, purificadores de água com painel solar, medicamentos e materiais cirúrgicos.
Veículos de esquerda, como o Brasil 247, enfatizaram a dimensão da solidariedade regional e da cooperação humanitária, destacando a iniciativa da companhia aérea Latam, que enviou seu chamado 'Avião Solidário' de Bogotá a Caracas com 163 bombeiros, socorristas, médicos e especialistas em emergências, vindos da Colômbia, Chile, Brasil, Equador e Peru. Segundo o CEO da empresa, Roberto Alvo, a companhia coordena ainda dois voos cargueiros para transportar cerca de 100 toneladas de ajuda, incluindo hospital de campanha, sistemas de água e saneamento e geradores. O enquadramento valoriza a integração latino-americana e a ajuda mútua entre povos vizinhos.
A leitura mais à direita do mesmo evento tende a sublinhar a eficiência e a agilidade da iniciativa privada: o programa 'Avião Solidário' da Latam existe há 15 anos e mobiliza a estrutura logística da empresa em parceria com governos e fundações, chegando rapidamente às áreas atingidas. Nessa chave, a resposta combina o aparato público brasileiro com a capacidade operacional de empresas e a colaboração de múltiplos países.
Há pontos em que toda a cobertura converge: a gravidade dos tremores, a escala potencial de vítimas e a mobilização simultânea de Estado e iniciativa privada para socorrer as comunidades devastadas. As avaliações preliminares, feitas com apoio de mapeamento por satélite do Microsoft AI for Good Lab, indicaram danos em 31,5% dos edifícios de Catia La Mar, uma das regiões mais atingidas.
O que ainda não se sabe é o número final de vítimas, que segue em atualização e pode crescer conforme avançam as buscas. Também não está claro o cronograma completo das próximas etapas da ajuda brasileira e internacional, nem o alcance efetivo das operações diante de uma área de destruição que se estende por várias regiões urbanas da Venezuela.