Líderes dos 32 países da Otan se reuniram em Ancara, na Turquia, nos dias 7 e 8 de julho de 2026, numa cúpula marcada por tensões entre o presidente americano Donald Trump e aliados europeus. O encontro ocorreu dias depois de uma nova ofensiva russa contra Kiev ter matado mais de 20 pessoas e de forças ucranianas terem atingido com drones a maior refinaria de petróleo da Rússia, na Sibéria. Já na chegada à Turquia, Trump afirmou que havia cogitado boicotar a cúpula e disse que os aliados não apoiaram suficientemente os Estados Unidos durante a guerra contra o Irã, criticando nominalmente Reino Unido, França, Alemanha e Itália.
A cobertura de centro relatou que o encontro tinha como principais temas o aumento dos gastos com defesa, a guerra na Ucrânia e a segurança no Estreito de Ormuz. Ao longo dos dois dias, Trump voltou a defender que a Groenlândia, território da Dinamarca, deveria ser controlada pelos Estados Unidos, o que levou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, a pedir respeito à soberania do país. O presidente americano também atacou a Espanha, chamando-a de 'causa perdida' por gastar menos que o esperado em defesa, e reacendeu o desentendimento com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Ao final, os 32 líderes aprovaram uma declaração reafirmando um 'compromisso inabalável' com a defesa coletiva, e a Otan anunciou acordos de armamento avaliados em pelo menos US$ 50 bilhões, além de promessa conjunta com o Canadá de destinar € 70 bilhões em ajuda à Ucrânia em 2026 e 2027.
Veículos de direita enfatizaram a cobrança de Trump como legítima: o presidente americano vinha pressionando havia anos para que os europeus assumissem maior responsabilidade pela própria defesa, e países como Reino Unido, Holanda, Finlândia e Polônia já anunciaram um mecanismo conjunto de compras militares até 2027, enquanto o Canadá confirmou a compra de submarinos alemães. Nessa leitura, os atritos são parte de uma negociação que, ao fim, produziu resultados concretos — inclusive elogiados pelo próprio secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que chamou o aumento dos investimentos europeus de 'uma grande vitória' para Trump.
Já uma leitura de esquerda destacaria o custo social dessa pressão: a própria cobertura registrou que os governos europeus agora precisam convencer suas populações a aumentar gastos militares 'em detrimento do estado de bem-estar social', e que o unilateralismo americano na guerra contra o Irã — decidida sem consulta prévia à aliança — colocou os europeus numa posição de reagir a decisões tomadas em Washington. A reivindicação sobre a Groenlândia e as críticas públicas a Espanha e Itália também alimentam essa leitura, que enxerga risco de a Otan operar mais como instrumento de pressão americana do que como aliança horizontal entre iguais.
Apesar dos atritos, nenhuma fonte relatou ruptura formal: a declaração final foi aprovada por todos os embaixadores, e Trump classificou o encontro, ao seu término, como uma reunião com 'muito amor no ar' e 'muita unidade'. Ainda assim, ficam em aberto pontos que a cúpula não resolveu: a data e as condições de uma eventual retirada adicional de tropas americanas da Europa, o desfecho da disputa sobre a Groenlândia e o calendário da próxima cúpula, já marcada para a Albânia, mas ainda sem data definida.