O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, decidiu na quinta-feira, 25 de junho de 2026, que caberá ao ministro André Mendonça relatar o pedido de investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, a cinebiografia em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No dia seguinte, o deputado federal Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro, apresentou um agravo regimental para contestar a escolha e pedir que a decisão seja reconsiderada ou levada ao colegiado da Corte.
Fachin determinou a redistribuição com base no critério de prevenção, mecanismo processual que reúne sob o mesmo relator casos que têm conexão entre si. Ao acolher manifestação da Procuradoria-Geral da República, conduzida pelo procurador-geral Paulo Gonet, e parecer da área técnica do tribunal, o presidente do STF considerou que os fatos do caso Dark Horse coincidem com o objeto de outras investigações já sob relatoria de Mendonça, entre elas a apuração das fraudes no Banco Master, que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Lindbergh sustenta que não há conexão concreta entre os dois processos. Para a defesa do deputado, a notícia-crime sobre o filme tem como foco o suposto uso de recursos públicos e privados na produção, enquanto a investigação do Banco Master trata de fraudes financeiras estimadas em ao menos doze bilhões de reais, alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Os advogados afirmam que a simples menção a Vorcaro em materiais apreendidos não é suficiente para caracterizar a prevenção, e que seria preciso demonstrar um vínculo jurídico-processual qualificado entre os feitos.
Veículos de esquerda destacaram que a redistribuição leva o caso para um ministro indicado ao STF pelo próprio Bolsonaro, o que, nessa leitura, representaria risco de blindagem da família. Essa cobertura enfatizou os indícios já revelados sobre o financiamento: um investimento total previsto de cerca de cento e trinta e quatro milhões de reais, dos quais sessenta e um milhões teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025 após negociações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro com Vorcaro. Mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil indicariam que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro tratou do envio de recursos ao exterior, onde parte do projeto estava mais avançada.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma mais contida, explicando o funcionamento do agravo regimental e do critério de prevenção, e registrando que cabe agora a Mendonça, como relator, analisar o pedido de abertura de investigação. Essa cobertura reproduziu trechos do despacho de Fachin e do parecer da PGR, e detalhou o pedido subsidiário de Lindbergh: caso a relatoria seja mantida, o deputado solicita o compartilhamento de informações com os ministros Flávio Dino, relator de ação sobre emendas parlamentares ligadas ao filme, e Alexandre de Moraes, relator do inquérito que apura Eduardo Bolsonaro por coação.
Não houve, no material reunido, cobertura de veículos de direita sobre o episódio. Pelo enquadramento que tais veículos costumam adotar, a ofensiva poderia ser lida como tentativa de afastar um relator inconveniente e como judicialização política contra a família Bolsonaro, ressaltando que a tese de prevenção foi acolhida pela própria PGR e pela área técnica do STF e que Eduardo Bolsonaro afirma ter aportado apenas trezentos e cinquenta mil reais, valor que diz ter sido posteriormente devolvido.
Ainda não se sabe como Mendonça decidirá sobre o pedido de abertura de investigação, nem se Fachin ou o colegiado vão reconsiderar a designação do relator. Também permanece em aberto o detalhamento dos elementos objetivos que, segundo Lindbergh, faltam para justificar a prevenção, e o desfecho das apurações sobre a origem dos recursos usados no financiamento do filme.