PF aponta Fábio Luís Lula da Silva em agenda de Carlos Brandão no Planalto
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Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular da lobista Roberta Luchsinger indicam que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria agendado uma reunião no Palácio do Planalto para o governador do Maranhão, Carlos Brandão, em 22 de maio de 2024. No áudio transcrito pela investigação, a lobista diz que o presidente afirmara que iria prosseguir com a liberação de uma obra no Estado. A apuração investiga suspeita de tráfico de influência e mapeia contratos de empresas do empresário Cléber Ribas com o governo do Maranhão e com o Ministério do Desenvolvimento Social, além de pagamentos à lobista. Carlos Brandão negou relação com Roberta Luchsinger, a defesa de Cléber Ribas classificou a assessoria como atividade lícita, o Planalto não se manifestou e a defesa do filho do presidente falou em vazamentos seletivos.
A leitura à direita trata o caso como retrato do balcão de negócios que se forma em torno do poder. Uma lobista contratada por um empresário de tecnologia recebeu ao menos R$ 2,5 milhões e, segundo mensagens transcritas pela Polícia Federal, acionava o filho do presidente para abrir portas do Palácio do Planalto a um governador aliado.
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Estão em jogo R$ 5,8 milhões em contratos com o governo do Maranhão, R$ 33,6 milhões com o Ministério do Desenvolvimento Social e um pacote anunciado de R$ 59 bilhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento para o Estado, incluindo a concessão do Porto do Itaqui. A investigação alcança o filho do presidente da República às vésperas do calendário eleitoral de 2026.
A direita trata o acesso à agenda presidencial como tráfico de influência já configurado, dado o dinheiro público nos contratos. A leitura à esquerda sustenta que sem ato de ofício comprovado não há crime, apenas articulação política ordinária, e questiona a legalidade da divulgação de conversas privadas em ano eleitoral.
Os dois enquadramentos aceitam os mesmos fatos básicos: a Polícia Federal extraiu mensagens do celular da lobista Roberta Luchsinger, nelas ela atribui a Fábio Luís Lula da Silva o agendamento de uma reunião no Palácio do Planalto para o governador Carlos Brandão, o encontro efetivamente ocorreu, e há contratos milionários de empresas ligadas ao empresário Cléber Ribas com órgãos federais e maranhenses.
Não se sabe se houve contrapartida ou ato de ofício ligando a reunião aos contratos, qual foi o teor do encontro registrado como reunião executiva, por que a HSLZ repassou R$ 4,4 milhões à lobista, nem se o caso ficará sob competência do Supremo Tribunal Federal. Não há indiciamento ou denúncia formal divulgada.
Um áudio de maio de 2024 encontrado pela Polícia Federal colocou o filho mais velho do presidente no centro de uma investigação sobre tráfico de influência. Nele, a lobista Roberta Luchsinger diz que Fábio Luís Lula da Silva conseguiu agenda no Palácio do Planalto para o governador do Maranhão, Carlos Brandão, e que uma obra no Estado seria liberada.
A Polícia Federal encontrou no celular da lobista Roberta Luchsinger mensagens em que ela afirma que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi responsável por marcar uma reunião no Palácio do Planalto para o governador do Maranhão, Carlos Brandão. Em áudio enviado em 22 de maio de 2024, a lobista diz ao filho do presidente que o pai dele havia afirmado que iria prosseguir com a liberação de uma obra no Estado e que o então chefe de gabinete presidencial, Marco Aurélio Santana Ribeiro, receberia o governador às 16 horas. A agenda oficial registra o encontro no mesmo dia, às 17h40, descrito apenas como reunião executiva.
As mensagens integram uma investigação sobre suspeita de tráfico de influência. Segundo a apuração, a lobista intermediou a contratação, por órgãos ligados ao governo do Maranhão, de uma empresa de informática do empresário Cléber Ribas, e também atuava em favor dele junto ao governo federal. A 3Structure, empresa de Ribas, fechou contratos de R$ 5,8 milhões com o governo maranhense em 2024, junto ao Porto do Itaqui e à Secretaria de Fazenda, e obteve dois contratos de R$ 14,4 milhões e R$ 19,2 milhões com o Ministério do Desenvolvimento Social, em dezembro de 2023 e abril de 2024. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras aponta que o empresário pagou ao menos R$ 2,5 milhões à lobista entre março de 2024 e dezembro de 2025. Outros R$ 4,4 milhões teriam chegado a ela pela HSLZ, empresa contratada com recursos estaduais para manter o Hospital dos Servidores Públicos do Maranhão. Em 21 de junho de 2024, um mês depois da reunião citada nas mensagens, o presidente foi a São Luís anunciar um pacote de R$ 59 bilhões em obras para o Maranhão dentro do Novo Programa de Aceleração do Crescimento, com a renovação da concessão do Porto do Itaqui entre as medidas.
Os envolvidos deram versões distintas. Carlos Brandão negou relação com a lobista, disse que sua agenda não depende da articulação de terceiros e afirmou que o presidente é aliado do Maranhão. A defesa de Cléber Ribas sustentou que ele contratou serviços de assessoria para captação de clientes e identificação de oportunidades de negócio, atividade lícita e comum no mercado. O governo estadual afirmou não ter ingerência sobre empresas privadas, e a direção do hospital recusou-se a explicar o repasse. O Palácio do Planalto não se manifestou, e a defesa do filho do presidente criticou o que chamou de vazamentos seletivos com o objetivo de interferir no processo eleitoral.
A cobertura de centro relatou o caso pelo eixo documental e acrescentou outro achado das mesmas mensagens: a lobista afirma que o presidente lhe ofereceu um cargo no governo federal, proposta que ela teria recusado para se dedicar a negócios privados com o filho dele. Esse mesmo enquadramento registra a disputa entre a Procuradoria-Geral da República e ministros do Supremo Tribunal Federal sobre quem conduz os inquéritos, tratando a questão de competência como parte central da história. Veículos de direita enfatizaram o volume de dinheiro público envolvido e o acesso privilegiado que o parentesco presidencial abriria, encadeando a reunião no Planalto, os contratos das empresas e o anúncio bilionário de obras como um mesmo circuito, além de cobrar do Ministério Público e do Judiciário o mesmo rigor aplicado a adversários do governo. À esquerda, ainda com presença marginal nesta cobertura, a leitura predominante é a da defesa: articular agenda entre o Executivo federal e um governo estadual é ato ordinário da política, o inquérito não apresentou até aqui ato de ofício nem contrapartida, e a exposição de conversas privadas em ano eleitoral levanta suspeita sobre o próprio método da divulgação.
O que ainda não se sabe é justamente o elo entre os fatos. Não há demonstração pública de que a reunião tenha influenciado a liberação de qualquer obra, nem de que os contratos das empresas tenham resultado de interferência do filho do presidente. O teor da reunião executiva no Planalto permanece indeterminado, o motivo do repasse do hospital maranhense à lobista segue sem explicação, e não está definido se o caso será conduzido pelo Supremo Tribunal Federal ou por instância inferior. Também não há informação sobre indiciamento ou denúncia formal contra qualquer um dos citados.
Em mensagens obtidas pela Polícia Federal, a lobista Roberta Luchsinger afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe ofereceu um cargo no governo federal. Segundo os diálogos, ela teria recusado a proposta para focar em negócios privados com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. No Central Meio desta sexta-feira (21/08/2026), Flávia Tavares, Yasmim Restum e Alexandre Borges, analista político, analisam a repercussão das revelações da PF e o embate entre PGR e ministros do STF pelos inquéritos envolvendo Lulinha. E ainda: as dicas culturais para o fim de semana com Guilherme Werneck.
Um mês depois da reunião, presidente foi a São Luís e anunciou um pacote de R$ 59 bi para o Maranhão; Governador negou relação com Roberta, defesa de Lulinha critica ‘vazamentos seletivos’ e Planalto e lobista não se manifestaram
