O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou de forma marcante o ritmo de sua pré-campanha à reeleição no último mês, às vésperas do início do defeso eleitoral. O período, que começa em 4 de julho, impõe restrições ao governo: a partir dessa data, ficam proibidas inaugurações de obras públicas, e as regras para publicidade institucional se tornam mais rígidas, justamente para evitar o uso eleitoral da máquina pública.
Segundo levantamento da CNN Brasil, entre os dias 20 de maio e 19 de junho o presidente realizou 27 anúncios e entregas, o equivalente a cerca de um por dia, e visitou um estado a cada quatro dias. A agenda priorizou os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A tendência, segundo a cobertura, é de que o ritmo se intensifique ainda mais até 4 de julho.
A cobertura de centro, como a da CNN Brasil e do Metrópoles, relatou os fatos de forma majoritariamente descritiva: o calendário do defeso, a lista de entregas e o cronograma eleitoral. Entre as ações recentes estão a inauguração de hospitais em Belo Horizonte e Divinópolis, a regulamentação do Estatuto da Segurança Privada, a assinatura de títulos de domínio para territórios quilombolas, uma linha de crédito para motociclistas de aplicativo e a seleção de moradias do Minha Casa, Minha Vida. O Metrópoles registrou ainda que o chamado pacote de bondades deste ano soma R$ 191,4 bilhões, alcançando da população de baixa renda à classe média e ao setor empresarial.
Veículos de direita, como o Goiás 246, enfatizaram o ângulo do cálculo eleitoral: a leitura de que Lula corre para entregar o que for considerado necessário antes que a lei o impeça, e de que aliados veem como desvantagem o fato de o presidente ainda não ter entrado de vez no modo eleição. Nesse enquadramento, ganha destaque o volume de recursos públicos envolvido na disputa: o PT decidiu liberar à campanha a cifra máxima permitida pelo Tribunal Superior Eleitoral, com teto de R$ 105 milhões no primeiro turno e R$ 157 milhões em caso de segundo turno, além dos R$ 615,3 milhões do Fundo Eleitoral à disposição do partido.
Veículos de esquerda tenderiam a ressaltar que inaugurar obras concluídas e entregar políticas já em andamento antes do defeso é prática legal e comum de qualquer governo em ano eleitoral, e que as entregas, hospitais, moradia popular, regularização de territórios quilombolas, têm impacto social direto sobre os mais vulneráveis. Nessa chave, o ritmo acelerado responde a um prazo legal, e não a um suposto desvio de finalidade. A reportagem do Metrópoles observou ainda que a avaliação positiva do governo cresceu na pesquisa MDA/CNT e superou a negativa.
Onde as coberturas convergem é no calendário: o PT decidiu oficializar a candidatura de Lula em 1º de agosto, em convenção no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. A campanha começa de fato em 16 de agosto, quando passam a ser permitidos pedidos de voto, comícios, carreatas, distribuição de material e impulsionamentos pagos na internet.
O que ainda não se sabe é quanto das entregas anunciadas já estava previsto no orçamento antes da janela eleitoral e qual será o efeito concreto desse esforço sobre a intenção de voto. Também permanece em aberto se o ritmo de anúncios resistirá às restrições legais a partir de 4 de julho, quando o governo terá de suspender inaugurações e publicidade institucional.