O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acelerou o ritmo de sua pré-campanha à reeleição. No último mês, fez em média um anúncio por dia e visitou um estado a cada quatro dias, segundo levantamento da CNN Brasil. Entre 20 de maio e 19 de junho, o petista realizou 27 anúncios e entregas, com passagens pelos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A principal razão para a intensificação é a proximidade do defeso eleitoral, que começa em 4 de julho. A partir dessa data, o governo fica proibido de inaugurar obras, fazer publicidade institucional e realizar outras ações sujeitas a restrições da legislação eleitoral. A estratégia, segundo a cobertura, é entregar o que for possível até o prazo. O presidente orientou auxiliares a não apresentar novos projetos e a concentrar esforços na conclusão de obras e medidas já em andamento.
A cobertura de centro relatou de forma factual o calendário que se desenha. O PT decidiu oficializar a candidatura de Lula em 1º de agosto, em convenção no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. A campanha começa de fato em 16 de agosto, quando passam a ser permitidos pedidos de voto, comícios, carreatas e impulsionamentos pagos na internet. O partido também definiu que disponibilizará o teto máximo de gastos permitido pelo Tribunal Superior Eleitoral: R$ 105 milhões no primeiro turno e R$ 157 milhões em caso de segundo turno. Pela distribuição do Fundo Eleitoral, o PT terá R$ 615,3 milhões à disposição para as eleições de 2026.
Veículos de esquerda destacaram o conteúdo social das entregas. Nas últimas semanas, Lula anunciou a regulamentação do Estatuto da Segurança Privada, um pacote de ações ambientais, entregas do programa Imóvel da Gente, a assinatura de títulos de domínio para territórios quilombolas e uma linha de crédito para financiamento de motos a trabalhadores de aplicativo. Em Minas Gerais, participou da inauguração de hospitais em Belo Horizonte e Divinópolis. Sob esse prisma, trata-se de levar investimentos públicos e proteção social a quem mais precisa, da população de baixa renda à classe média.
Veículos de direita enfatizaram o custo fiscal e o caráter eleitoral da ofensiva. Para essa cobertura, a corrida de anúncios antes do defeso revela o uso da máquina pública em favor da reeleição. O chamado pacote de bondades deste ano somaria R$ 191,4 bilhões, e aliados do próprio presidente admitem que as medidas buscam melhorar os índices de aprovação às vésperas da disputa. Sob esse ângulo, o Fundo Eleitoral bilionário e a concentração de obras no calendário pré-campanha levantam dúvidas sobre a sustentabilidade das contas.
O que ainda não se sabe é se a aprovação do governo vai responder ao esforço de entregas, qual será a reação da oposição e dos órgãos de fiscalização eleitoral, e se haverá questionamentos formais sobre eventual uso eleitoral de ações de governo antes de 4 de julho. Também permanece em aberto o detalhamento da metodologia do pacote de R$ 191,4 bilhões e a resposta do Planalto às críticas.