O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou uma agenda oficial em Juazeiro do Norte, no Ceará, na quinta-feira, para fazer um apelo público ao governador Elmano de Freitas (PT), que buscará a reeleição em 2026. Diante de apoiadores, durante a entrega de ônibus escolares e unidades de saúde, Lula pediu que o aliado conduza a campanha sem recorrer a ataques pessoais. "Eu queria que você não fizesse jogo rasteiro nessa eleição. Não baixe o nível da campanha. A nossa resposta para quem nos ataca é mostrar o que nós estamos fazendo", afirmou o presidente.
Sem citar diretamente o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), Lula fez críticas veladas ao principal adversário de Elmano. O presidente disse conhecer políticos cearenses que já foram governantes e que, apesar do bom discurso, "não fizeram nada", e sugeriu aos eleitores que comparem discursos com resultados de mandatos anteriores. A cobertura de centro relatou que a fala ocorreu no limite do que a legislação eleitoral permite antes do início formal das campanhas, já que o presidente não pode pedir voto explicitamente a pré-candidatos antes de 16 de agosto.
Todos os veículos convergem sobre o quadro da disputa. Levantamento do instituto Ipsos-Ipec divulgado no mês anterior mostra Ciro Gomes na liderança da corrida pelo Governo do Ceará, com 44% das intenções de voto, contra 33% de Elmano de Freitas e 4% do senador Eduardo Girão (Novo). Na simulação de segundo turno, Ciro alcança 49% contra 41% do atual governador. A cobertura também é unânime ao registrar que Ciro se aliou ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e ao União Brasil, reunindo antigos adversários da direita, e que sua pré-campanha se concentra na crítica à política de segurança pública petista diante do avanço das facções criminosas.
As coberturas divergem no enquadramento. Veículos de esquerda e de centro destacaram o apelo de Lula por uma disputa baseada em propostas e resultados, apresentando o gesto como defesa das entregas do governo e reforço da unidade do campo governista, além de valorizar o caráter e a gestão de Elmano. Já veículos de direita enfatizaram o tom defensivo do presidente diante de um adversário que lidera as pesquisas com folga, e deram destaque ao caso Bebeto do Choró, alvo de nova operação da Polícia Federal por suspeitas de fraude em licitações, desvio de emendas e lavagem de dinheiro. Nessa cobertura, Ciro Gomes vincula o escândalo à eleição de Fortaleza, vencida pelo PT de Evandro Leitão, colocando o grupo governista na defensiva. Evandro reagiu, chamou Ciro de "mau-caráter", negou as acusações e afirmou que acionará a Justiça.
O episódio também expôs tensões dentro do bolsonarismo. O apoio do PL a Ciro provocou reação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que publicou vídeo relatando desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, após criticar a aproximação. A formação da chapa de oposição ainda envolve negociações para as vagas ao Senado, com nomes como Capitão Wagner e Alcides Fernandes.
O que ainda não se sabe: nenhuma fonte confirma que Ciro Gomes lançará oficialmente a candidatura, embora o dia 16 seja citado como data prevista, nem há conclusão judicial sobre o caso Bebeto do Choró ou comprovação da alegada conexão com a eleição de Fortaleza. Também permanecem indefinidos os nomes finais da chapa governista e o cenário eleitoral após o início formal das campanhas.