O Supremo Tribunal Federal marcou para o dia 19 de agosto a retomada do julgamento que vai definir como será escolhido o governador do Rio de Janeiro para cumprir o mandato-tampão até o fim de 2026. A decisão gira em torno de uma pergunta central: a escolha deve ser feita por eleição direta, com voto da população fluminense, ou por eleição indireta, restrita aos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj. O julgamento havia sido suspenso em abril, após um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que já devolveu os autos e liberou o tema para o plenário.
A cobertura de centro, majoritária neste caso, relatou os fatos com detalhe. A crise sucessória começou com uma sequência de vacâncias. Em março, o então governador Cláudio Castro renunciou ao cargo um dia antes de ser condenado à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral. O ex-vice-governador Thiago Pampolha já havia deixado o Executivo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do estado, e o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, foi cassado. Sem os ocupantes naturais da linha sucessória, o governo passou a ser exercido interinamente por Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio. Foi nesse contexto que o TSE determinou a realização de eleição indireta, decisão contestada pelo diretório estadual do PSD, que recorreu ao Supremo defendendo o voto popular.
A CNN Brasil, veículo de centro, trouxe o detalhamento mais fino do placar: antes da suspensão, a votação estava em 4 a 1 a favor da eleição indireta, com os ministros Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia favoráveis à escolha pelos deputados estaduais. O relator, Cristiano Zanin, votou por eleições diretas, e os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e o próprio Dino indicaram que seguirão a mesma linha. A maior expectativa recai sobre os votos de Dias Toffoli e do presidente Edson Fachin.
Veículos de esquerda enfatizaram o ângulo democrático da disputa: tratam a escolha entre voto direto e indireto como uma questão sobre o direito da população de eleger seu governante, e reforçam que toda a crise nasceu da condenação de Cláudio Castro, associado ao PL, por uso indevido da estrutura da Fundação Ceperj e da Uerj para contratar cabos eleitorais na campanha de 2022. Nessa leitura, a renúncia de Castro foi uma manobra calculada para viabilizar a eleição indireta, mais controlável. A CartaCapital, além disso, destacou pesquisas de aprovação de Lula e do governador interino no estado, ancorando o caso no cenário político local.
Embora o cluster não traga uma cobertura de direita explicitamente editorializada, uma leitura mais à direita tenderia a enfatizar a segurança jurídica e o respeito ao entendimento já firmado pelo TSE, além de ler a ação do PSD, partido ligado ao prefeito Eduardo Paes, como cálculo político para redesenhar alianças na Alerj. Nesse enquadramento, a maioria parcial de 4 a 1 pela eleição indireta e a solução institucional da interinidade pesam a favor da previsibilidade das regras.
O que ainda não se sabe é o resultado final: os votos decisivos de Toffoli e Fachin permanecem indefinidos, e há uma divergência de data na cobertura, já que a CartaCapital aponta o dia 26 de agosto para a retomada, enquanto os demais veículos citam 19 de agosto. Também não está claro como a decisão afetará alianças na Assembleia nem se servirá de precedente para casos semelhantes de vacância em outros estados.