As mulheres são 52,8% do eleitorado brasileiro e respondem por 34,8% das candidaturas registradas para as eleições gerais de 2026. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizados no domingo, 16 de agosto, e apontam 7.134 candidaturas femininas em um universo de 20.496 registros apresentados para presidente, governador, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital, além de vices e suplentes. No eleitorado, elas somam 83,9 milhões dos 158,7 milhões de pessoas aptas a votar neste ano. O prazo para partidos, federações e coligações protocolarem os pedidos de registro terminou às 19h do sábado, 15 de agosto, e os números ainda podem mudar conforme a Justiça Eleitoral processa os pedidos e conforme ocorram substituições.
A cobertura de centro concentrou-se na leitura direta da base oficial e no comparativo com o ciclo anterior. A participação feminina passou de 33,8% em 2022 para 34,8% em 2026, um avanço de cerca de um ponto percentual. O crescimento, porém, veio das disputas proporcionais: as mulheres ocupam 6.746 das 19.127 candidaturas a deputado federal, estadual ou distrital, o equivalente a 35,3%, contra 34,1% quatro anos atrás. Entre candidatos a deputado federal, o índice subiu de 35% para 36,5%. Nas disputas majoritárias o movimento foi inverso. Das 13 candidaturas à Presidência, apenas duas são de mulheres, Samara Martins, da União Popular (UP), e Clariana Barão, da Democracia Cristã (DC), o que representa 15,4% do total, metade dos 30,8% registrados em 2022. Para os governos estaduais, são 32 mulheres entre 195 candidatos, ou 16,4%, ante 17% no ciclo passado. No Senado, elas caíram de 23,9% para 21,9%. A maior presença feminina aparece nas vagas de vice: 38,5% das candidaturas a vice-presidente e 42,9% das de vice-governador.
Os mesmos veículos de centro detalharam os recortes de partido e de raça. As mulheres são minoria em 29 dos 30 partidos que disputam a eleição, e a única exceção é a União Popular, com 53,2% dos registros. Em números absolutos, o Partido Liberal (PL) tem a maior quantidade de candidatas, 536, seguido pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com 488, e pelo Republicanos, com 429. Entre as candidatas, 45,9% são brancas, 35% pardas, 17,3% pretas, 1,2% indígenas e 0,6% amarelas, de modo que pretas e pardas somadas chegam a 52,3%. No conjunto das candidaturas, pretos e pardos representam 49,9%, um recuo ante os 50,3% de 2022. Também houve recorte regional: na Paraíba, o Tribunal Regional Eleitoral contabilizou 436 registros, dos quais 156 de mulheres, ou 36%. Parte da cobertura de centro acrescentou o marco legal, lembrando que desde 2009 os partidos precisam lançar ao menos 30% de candidaturas de cada gênero nas eleições proporcionais e destinar 30% dos recursos de campanha e do tempo de rádio e televisão às mulheres, com anulação de chapa, cassação de diplomas e inelegibilidade como punições para a fraude à cota.
A divergência de cobertura aparece no enquadramento, e não nos números. Veículos de esquerda destacaram que o hiato de quase 18 pontos percentuais entre o peso das eleitoras e a fatia das candidatas revela uma cota que opera como teto burocrático, cumprida no mínimo exigido e não como incentivo à competitividade. Essa leitura enfatiza que nenhuma das cinco chapas mais bem posicionadas nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência tem mulher na cabeça ou na vice, aponta a distribuição desigual do Fundo Partidário, do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do tempo de propaganda como obstáculo material, e cita a apuração de candidaturas fictícias pelo Ministério Público Federal, identificadas por votação irrisória, ausência de atos de campanha e falta de movimentação financeira. Lembra ainda que, em 2022, só quatro mulheres foram eleitas ao Senado e 91 à Câmara dos Deputados. Já veículos de direita não cobriram o levantamento no recorte analisado, o que configura um ponto cego: a leitura que enfatizaria o cumprimento do piso legal por todos os partidos nas proporcionais, a autonomia partidária na escolha de nomes competitivos e o custo público de ampliar fundos eleitorais não aparece em nenhuma das matérias reunidas.
O que ainda não se sabe é quanto desse quadro sobreviverá ao processamento judicial: a Justiça Eleitoral segue analisando os pedidos e as substituições, e os percentuais podem oscilar.