Fábio Tyrone recebe R$ 1,5 milhão do PSB na Paraíba após condenação
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O ex-prefeito de Sousa, na Paraíba, Fábio Tyrone, condenado em 2018 por agredir a namorada, recebeu R$ 1,5 milhão da direção nacional do PSB para disputar uma vaga de deputado federal. O valor é 408% superior à média repassada aos outros dez candidatos da legenda ao mesmo cargo no estado, de R$ 301 mil, segundo dados da prestação de contas publicada pelo Tribunal Superior Eleitoral. O partido afirmou que o rateio cabe ao diretório estadual e que o presidente nacional, João Campos, pediu a expulsão de Tyrone e mandou o caso ao Conselho Nacional de Ética.
A leitura provável de veículos de direita foca no destino do dinheiro público: o Fundo Eleitoral é bancado pelo contribuinte e o PSB direcionou R$ 1,5 milhão, um terço de toda a verba estadual para deputado federal na Paraíba, a um candidato com condenação criminal confirmada em segunda instância.
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Veículos com viés à direita
O ex-prefeito de Sousa, na Paraíba, Fábio Tyrone, condenado por agredir a namorada em 2018, concorre a deputado federal pelo PSB e recebeu R$ 1,5 milhão da direção nacional do partido, 408% acima da média dos demais candidatos da sigla ao mesmo cargo no estado. O caso corre agora no Conselho Nacional de Ética do PSB.
O ex-prefeito de Sousa, na Paraíba, Fábio Tyrone, condenado em 2018 por agredir a namorada, recebeu R$ 1,5 milhão da direção nacional do PSB para disputar uma vaga de deputado federal. O valor é 408% superior à média repassada aos outros dez candidatos da legenda ao mesmo cargo no estado, que ficou em R$ 301 mil. Os números foram extraídos das prestações de contas publicadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, o TSE.
O PSB destinou R$ 4,5 milhões à disputa por vagas na Câmara dos Deputados pela Paraíba. Um terço desse total foi para a campanha de Tyrone. Entre as quatro candidatas do partido no estado, a mais bem financiada é a vereadora Jailma Carvalho, com R$ 633 mil, menos da metade do que foi repassado ao ex-prefeito. A ex-secretária estadual de Mulheres, Lídia Moura, recebeu R$ 341,6 mil. Cris Furtado e a empresária Rachel Maroja ficaram com R$ 186,6 mil cada uma.
A legislação eleitoral dá aos partidos liberdade para distribuir o Fundo Eleitoral como quiserem, desde que respeitem a cota nacional de 30% dos recursos para mulheres e para pessoas pretas e pardas. Em maio, a Executiva nacional do PSB decidiu reservar 80% da verba para candidaturas a deputado federal e ao Senado, classificadas como prioridade estratégica, e afirmou que beneficiaria as candidaturas de maior viabilidade eleitoral.
Tyrone foi condenado a 1 ano e 4 meses depois de confessar ter batido na namorada, em 2018. Em abril deste ano, o ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça, reduziu a pena para 10 meses e 25 dias. Em 2023, a Executiva do PSB Mulher recomendou a expulsão dele, e a recomendação não foi cumprida pela direção partidária.
Depois da publicação da reportagem, o PSB respondeu que a definição dos repasses cabe ao diretório estadual. O partido afirmou que o presidente nacional, João Campos, reabriu a apuração do caso a partir de uma representação da deputada Tabata Amaral, pediu informações atualizadas à Secretaria Nacional de Mulheres e reafirmou o pedido de expulsão. Em 23 de setembro, determinou que o processo fosse analisado diretamente pelo Conselho Nacional de Ética da sigla, para que a expulsão seja concluída o quanto antes. Procurados, o partido e o próprio Tyrone não se manifestaram sobre a distribuição do dinheiro.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, e a apuração se apoia em documento público: os valores declarados ao TSE. Não há, por ora, cobertura de outros veículos que confirme, conteste ou amplie o levantamento, e por isso não existe divergência de enquadramento a comparar. A reportagem única escolheu o ângulo da destinação de dinheiro público a um candidato com condenação por violência doméstica, e contrapôs o repasse ao financiamento recebido pelas candidatas mulheres da mesma legenda no estado.
O que ainda não se sabe é qual critério o diretório estadual usou para concentrar um terço da verba paraibana em uma única candidatura, se houve avaliação interna sobre a condenação antes do repasse e em quanto tempo o Conselho Nacional de Ética deve concluir o processo de expulsão. Também não está esclarecido se uma eventual saída do candidato do partido teria efeito sobre a candidatura já registrada, nem qual é a posição do diretório paraibano sobre o pedido feito pela direção nacional.
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PSB diz que repasse é definido pelo diretório estadual, e que presidente da sigla pediu expulsão de Tyrone; partido injetou R$ 1,5 milhão na campanha de Fábio Tyrone à Câmara, enquanto a média recebida pelos 10 outros candidatos no Estado ficou em R$ 301 mil

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