STF anula absolvição de réu no caso Mariana Ferrer e sinaliza novo julgamento
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O STF reparou uma das maiores demonstrações de violência institucional contra uma vítima de estupro no país. Ao anular por unanimidade a absolvição do empresário acusado de estuprar Mariana Ferrer, a Corte reconheceu a revitimização sofrida por ela durante a audiência, quando teve roupas, vida sexual e dignidade expostas. Para os ministros, o caso escancara o machismo estrutural que silencia e culpabiliza mulheres no Judiciário.
O STF anulou a absolvição do empresário André de Camargo Aranha e determinou novo julgamento no caso Mariana Ferrer, fixando tese de repercussão geral sobre a proteção de vítimas em crimes sexuais. A decisão garante o respeito ao devido processo legal e à dignidade no curso da instrução, mas a defesa do acusado reafirma sua inocência e lembra que a absolvição original se baseou no conjunto probatório e em pedido do próprio Ministério Público.
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3 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: viés de centro.
Veículos com viés ao centro
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Veículos com viés à direita
Esquerda, centro e direita reconhecem que o STF anulou por unanimidade a absolvição e que o processo será refeito na Justiça de Santa Catarina, sem o juiz e o promotor originais. Todos registram a tese de repercussão geral fixada pela Corte.
O Supremo Tribunal Federal anulou, por unanimidade, no dia 18 de junho de 2026, a absolvição do empresário André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a influenciadora digital Mariana Ferrer em 2018, na boate Café de La Musique, em Florianópolis. Com a decisão, o processo retorna à Justiça de Santa Catarina e será reiniciado do zero. O juiz Rudson Marcos e o promotor que atuaram no caso ficam impedidos de participar do novo julgamento.
O recurso julgado foi apresentado pela defesa de Mariana Ferrer, que alegou revitimização durante a audiência de instrução realizada em 2020. Na ocasião, o advogado do acusado questionou as roupas usadas por ela, sua vida sexual e chegou a afirmar que ela posava para fotos em "posições ginecológicas". O vídeo da audiência viralizou nas redes sociais e gerou comoção nacional. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, conduziu o voto vencedor. Ele afirmou que houve total desrespeito aos direitos fundamentais da vítima, classificou o tratamento como cruel e desumano e disse que o episódio é uma vergonha para o Judiciário. Para Moraes, o depoimento de Mariana foi cerceado, o que torna a audiência nula. O ministro Luiz Fux acompanhou as críticas e disse que o magistrado responsável não nasceu para a magistratura. A ministra Cármen Lúcia, única mulher da Corte, enquadrou a conduta como imoral e inconstitucional.
A cobertura de centro relatou com sobriedade o desfecho processual, os votos dos ministros e a tese de repercussão geral fixada pela Corte, segundo a qual são nulas as provas obtidas em crimes sexuais quando há violação à dignidade, honra, intimidade ou integridade psicológica da vítima. Os veículos de centro também registraram o contexto legal: a Lei 14.245, conhecida como Lei Mariana Ferrer, publicada em novembro de 2021, e a punição administrativa aplicada ao juiz pelo Conselho Nacional de Justiça em 2023.
Veículos de esquerda enfatizaram a dimensão de gênero do caso. Destacaram a fala de Cármen Lúcia sobre o preconceito que silencia mulheres e sobre a vergonha que leva tantas vítimas a não denunciarem estupros. Para essa cobertura, a decisão é uma reparação à violência institucional sofrida pela influenciadora e uma vitória dos direitos das vítimas de violência sexual. Veículos de direita, por sua vez, deram espaço à argumentação da defesa do acusado. A advogada Dora Cavalcanti sustentou que a absolvição original se apoiou em um acervo probatório construído ao longo de toda a instrução e lembrou que o próprio Ministério Público havia pedido a absolvição em primeiro grau. Segundo a defesa, o empresário reafirma sua inocência e aguarda serenamente a renovação do ato processual.
O que ainda não se sabe é quando o novo julgamento ocorrerá na Justiça de Santa Catarina, qual será o novo conjunto de provas considerado e se a fixação da tese de repercussão geral terá efeitos imediatos sobre outros processos de crimes sexuais em andamento no país.
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (18) anular o processo que absolveu o empresário André de Camargo Aranha da acusação de estupro

Decisão foi unânime e empresário deverá ser julgado novamente
O Supremo Tribunal Federal anulou por unanimidade nesta quinta-feira (18) a absolvição do empresário André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a influenciadora Mariana Ferrer em 2018 na boate Café de La
