O Partido dos Trabalhadores oficializou no domingo, 2 de agosto de 2026, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, em convenção nacional realizada no Expo Center Norte, na zona norte de São Paulo. Aos 80 anos, o petista busca um quarto mandato presidencial, algo inédito na história do país, e repete a chapa vitoriosa de 2022, com Geraldo Alckmin novamente na vice. É a sétima vez que ele disputa efetivamente o Planalto, depois das derrotas de 1989, 1994 e 1998 e das vitórias de 2002, 2006 e 2022. Em 2018, seu registro chegou a ser apresentado, mas foi barrado com base na Lei da Ficha Limpa.
A cobertura de centro relatou os dados duros do episódio com convergência quase total. A coligação formal reúne o PSB, a federação que junta PT, PC do B e PV, a federação Psol-Rede e o PDT, o maior apoio do campo progressista desde 1989. As convenções partidárias se encerraram em 5 de agosto, e o resultado é que o presidente ficou como o único candidato à Presidência com aliança formal de outros partidos: as demais onze chapas em disputa são compostas por integrantes de um só partido. Isso tem efeito prático medido pela própria lei eleitoral, que distribui 10% do horário gratuito igualmente entre as legendas que superaram a cláusula de barreira e 90% em proporção às bancadas de deputados federais eleitos em 2022. Com sete siglas somadas, a chapa governista terá o maior tempo de rádio e televisão, enquanto o principal adversário, que reúne a maior bancada individual da Câmara, não pôde somar minutos por não ter coligados. O registro das candidaturas vai até 15 de agosto, a campanha começa em 16 de agosto e a propaganda eleitoral, em 28 de agosto.
No discurso de mais de uma hora, o presidente listou cinco compromissos para um eventual novo mandato: resolver o papel da educação no país, criar um programa voltado a idosos, fortalecer a indústria de defesa, manter as terras raras e os minerais críticos sob controle brasileiro e avançar na transição energética. Também prometeu conflito com o Congresso por causa das emendas parlamentares, criticou o fundo partidário, reforçou o combate à violência contra a mulher e afirmou estar em plenas condições físicas para a disputa. Disse ainda que o programa de governo só será divulgado a partir de 16 de agosto.
As divergências aparecem no que cada lado escolheu destacar. Veículos de direita concentraram a cobertura em dois pontos: o fracasso da tentativa de atrair partidos de centro e de direita, já que MDB, Republicanos, PP e União Brasil optaram pela neutralidade no primeiro turno, e a fala em que o presidente projetou um sucessor para 2030, lida como sinal de que a vitória é tratada como certa. Essa cobertura também reabriu o histórico judicial do candidato, com a condenação na operação Lava Jato e os 580 dias de prisão em Curitiba, sem registrar em todos os casos que as ações penais foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a incompetência da vara de Curitiba e a parcialidade do juiz do caso. A cobertura de centro trouxe esse desfecho judicial completo e tratou a mesma fala sobre 2030 como declaração espontânea, corrigida em seguida pelo próprio presidente, que citou outros nomes possíveis. Veículos de esquerda não figuram neste conjunto de reportagens, e a ausência é relevante: o ângulo social dos compromissos anunciados, da proteção a idosos ao fim da escala 6x1, ficou sem quem o amplificasse, aparecendo apenas como citação dentro de textos factuais.
O que ainda não se sabe é considerável. O programa de governo só vem a público a partir de 16 de agosto, e nenhuma das reportagens apurou o custo fiscal dos cinco compromissos anunciados. Não está definido se os partidos que se declararam neutros no primeiro turno tomarão posição em um eventual segundo turno. O cálculo exato do tempo de rádio e televisão de cada chapa só será feito depois de 15 de agosto, quando termina o prazo de registro no tribunal eleitoral. E nas disputas estaduais confirmadas no mesmo fim de semana ainda faltam definições, como o nome do vice e a segunda vaga ao Senado em uma das chapas mineiras.