O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avançou, na quinta-feira, 16 de julho, a articulação de uma candidatura própria do PT ao governo de Minas Gerais, ao se reunir no Palácio da Alvorada com o deputado federal Patrus Ananias. A expectativa registrada pela cobertura é que o ex-ministro oficialize a pré-candidatura na segunda-feira seguinte, dia 20 de julho. O encontro tratou tanto do cenário eleitoral no estado quanto de temas de governo, como a ampliação de projetos na educação, a dívida estadual e a sanção do projeto que transforma os CEFETs de Minas Gerais e do Rio de Janeiro em universidades tecnológicas.
A cobertura de centro relatou que o nome de Patrus ganhou força depois da desistência do senador Rodrigo Pacheco de disputar o governo estadual, e que o PT testou outras alternativas, como o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, antes de convergir para o veterano deputado. Segundo essa apuração, pesquisas internas do partido mostravam Kalil com cerca de 15% das intenções de voto e a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, entre 18% e 20%; ela, porém, já havia acertado disputar uma vaga no Senado. Um levantamento da Real Time Big Data, divulgado em maio, indicava o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, na liderança dos cenários de primeiro turno em que seu nome foi testado, embora ele ainda não tenha oficializado a pré-candidatura.
Veículos de esquerda destacaram a trajetória de Patrus Ananias como prefeito de Belo Horizonte e ministro do Desenvolvimento Social, período em que ajudou a estruturar programas como o Bolsa Família e o Fome Zero, e apresentaram a convocação de Lula como uma tentativa de repetir, no estado, o padrão histórico em que o candidato mais votado em Minas Gerais também vence a disputa presidencial. Essa cobertura também recordou a gestão de Fernando Pimentel, descrevendo as acusações que o atingiram durante a Operação Lava Jato como posteriormente derrubadas na Justiça, e associou a derrota de Pimentel em 2018 à ascensão de Romeu Zema.
Não há, até o momento, cobertura de direita específica sobre essa articulação. Com base nos fatos apurados, a leitura provável desse campo tenderia a enquadrar o episódio como um exemplo de negociação de cargos e alianças típica da política tradicional, questionando se a prioridade real do encontro foi a dívida do estado ou o cálculo eleitoral do PT, e cobraria atenção ao custo da propaganda política, que soma R$ 5,2 bilhões em 11 anos e deve chegar a R$ 996 milhões só em 2026.
O que ainda não está definido é a composição completa da chapa: o partido negocia o nome do vice, avalia reforçar a aliança com o MDB de Gabriel Azevedo e ainda discute se Alexandre Kalil e Marília Campos manterão outros papéis na disputa. A confirmação formal da candidatura de Patrus, prevista para o dia 20 de julho, deve esclarecer esses pontos.