O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio da Alvorada, em Brasília, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e coordena a campanha presidencial do Partido dos Trabalhadores em São Paulo. O encontro, na noite de quarta-feira, teve a participação do ex-ministro Fernando Haddad, candidato do PT ao governo paulista, e foi marcado para tratar da eleição no estado com o maior colégio eleitoral do país. Ainda assim, o caso que envolve o filho do presidente entrou na conversa.
Segundo os relatos reproduzidos pela cobertura, a iniciativa de falar sobre a investigação partiu do advogado. Marco Aurélio de Carvalho reclamou da conduta da Polícia Federal, apontou vazamentos seletivos de informações e pediu que o Ministério da Justiça atue para impedir novas divulgações. A defesa já havia feito cobrança semelhante ao ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e sustenta que as autoridades fazem uma pescaria, isto é, buscas sem objeto claramente definido. Lula teria orientado o filho a se colocar à disposição para prestar esclarecimentos e repetido, em conversa reservada, o que já disse publicamente: que o filho precisa provar sua inocência e que não interferirá na corporação.
Fábio Luís é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria-Geral da República pediu que o caso desça para a primeira instância, por não haver investigado com foro especial. As suspeitas envolvem uma suposta atuação ao lado da lobista Roberta Luchsinger para vender ao Ministério da Saúde medicamentos à base de canabidiol. Segundo a apuração, ela se apresentava como representante do filho do presidente e pedia 20% de remuneração no projeto, que não avançou. A defesa nega qualquer irregularidade.
Os dois lados que cobriram o episódio convergem nos fatos centrais: a reunião ocorreu, o tema eleitoral estava na pauta e o caso é acompanhado de perto pela campanha. As ênfases divergem. Veículos de direita destacaram a proximidade entre o presidente e o advogado do filho enquanto a Polícia Federal investiga, lembraram que Lula cancelou na véspera a presença na posse da nova cúpula do Superior Tribunal de Justiça e detalharam o cálculo petista de que apenas um fato grave, como uma eventual prisão, mudaria o quadro eleitoral. A cobertura de centro relatou o mesmo encontro com foco no conteúdo do pedido da defesa e no estágio processual dos inquéritos, registrando a negativa dos advogados e a orientação do presidente para que o filho se explique às autoridades. Veículos de esquerda não registraram o episódio no conjunto analisado, o que deixa sem contraponto no noticiário o argumento de que a divulgação de dados sigilosos é o problema central da história.
O pano de fundo é eleitoral. As investigações recolocaram o tema da corrupção no caminho da campanha de Lula e reduziram a força do ataque petista ao senador Flávio Bolsonaro no episódio conhecido como Dark Horse, em que ele aparece pedindo dinheiro ao antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para concluir um filme sobre o pai. Aliados do presidente avaliam que as acusações contra o filho já circulam em campanhas anteriores e não impediram eleitores de votar nele, e que uma eventual absolvição também não traria ganho automático.
O que ainda não se sabe: se o Ministério da Justiça adotará alguma medida sobre os vazamentos apontados pela defesa, se o Supremo Tribunal Federal aceitará o pedido da Procuradoria-Geral da República para remeter os inquéritos à primeira instância e qual será a resposta formal de Fábio Luís às autoridades. Também não há manifestação pública da Polícia Federal sobre a acusação de vazamento seletivo, nem prazo conhecido para a conclusão das apurações.