A campanha presidencial de 2026 entrou na fase de rádio e televisão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) nos dois indicadores que dominaram a semana: o tempo de propaganda gratuita e as pesquisas de intenção de voto. Pela distribuição informada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula terá 5 minutos e 31 segundos diários de propaganda em rede, contra 4 minutos e 20 segundos de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado (PSD) ficará com 2 minutos e 2 segundos e o escritor Augusto Cury (Avante), com 35 segundos. Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) não terão direito ao horário gratuito, embora possam fazer campanha por internet, eventos e propaganda de rua. Nas inserções de 30 segundos a diferença se repete: 433 para a campanha do presidente e 339 para a do senador. O critério é a representatividade dos partidos e federações no Congresso Nacional.
No mesmo intervalo, o Datafolha divulgou a primeira pesquisa realizada depois do início oficial da campanha. Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 33% no primeiro turno; em uma eventual segunda rodada, o petista tem 47% contra 43% do senador. O instituto ouviu 2.058 eleitores entre 18 e 20 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro BR-04496/2026 na Justiça Eleitoral. Ronaldo Caiado marcou 5%, Renan Santos, 4%, e Romeu Zema, 3%. A rejeição dos dois primeiros colocados é quase idêntica: 46% afirmam que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro e 45% dizem o mesmo sobre Lula.
Veículos de esquerda, de centro e de direita convergem nos números e no diagnóstico de que a disputa está polarizada entre esses dois nomes, com o restante do campo conservador distante do segundo lugar. Todos registram que a diferença no segundo turno está no limite da margem de erro e que a campanha do senador tenta encurtar o caminho por dois temas: segurança pública e custo de vida. Foi nessa chave que Flávio Bolsonaro gravou propaganda em frente a uma loja recém-fechada das Casas Bahia, em Taguatinga, no Distrito Federal, para associar ao governo o pedido de recuperação judicial do grupo, que declarou dívida de R$ 17,3 bilhões, anunciou o fechamento de quase 300 lojas e prevê cerca de 3.000 demissões. A própria empresa atribui a crise a investimentos pesados em tecnologia e logística iniciados em 2019 e aos choques da pandemia.
A partir daí as coberturas se separam. Veículos de esquerda destacaram a liderança do presidente em todos os cenários, a consolidação do seu eleitorado, com 82% dizendo que não mudam o voto, e o desempenho no Pará, onde uma pesquisa AtlasIntel lhe deu 49,7% contra 38% do senador. Também noticiaram o contra-ataque em preparação, que pretende desafiar Flávio Bolsonaro a abrir o sigilo bancário e recolocar em pauta o caso Dark Horse, projeto de cinebiografia que envolveu negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro. A cobertura de centro concentrou-se na metodologia e na tendência: a distância no primeiro turno caiu quatro pontos desde junho, o Sudeste passou a favorecer numericamente o senador e as revelações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, começaram no dia em que a coleta teve início e se adensaram depois de encerrada. Veículos de direita enfatizaram a rejeição do presidente, um agregador que mede a distância entre os dois em 6,67 pontos e um levantamento do Instituto Veritá, com 3.840 entrevistas, em que Flávio Bolsonaro venceria o segundo turno por 47,3% a 42%, resultado destoante das demais pesquisas divulgadas no mesmo dia.
Na disputa programática, os dois candidatos partem de um diagnóstico semelhante sobre o crime organizado, hoje com 88 facções mapeadas no país, e convergem na estratégia de atacar as finanças dessas organizações. Lula defende coordenação federal, integração de dados e inteligência, a criação de um Ministério da Segurança Pública e medidas preventivas como urbanização de periferias. Flávio Bolsonaro aposta no aparato punitivo, com endurecimento de penas, redução da maioridade penal, restrição à progressão de regime, construção de presídios e classificação de facções como organizações terroristas.
Ainda não se sabe qual será o efeito eleitoral das suspeitas que envolvem o filho do presidente, porque a coleta da principal pesquisa começou antes de o assunto ganhar corpo.