A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira, 3 de agosto de 2026, encurtou a distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial. No primeiro turno, o presidente aparece com 41% das intenções de voto e o senador com 37%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados. Uma semana antes, no levantamento divulgado em 27 de julho, a diferença era de nove pontos, com 42% contra 33%.
O instituto entrevistou por telefone 2.002 eleitores de 16 anos ou mais, entre 31 de julho e 2 de agosto, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-02874/2026, foi paga pelo Banco BTG Pactual e custou 164.888,89 reais. Fora da polarização, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) marca 5%, o ativista Renan Santos (Missão) 4% e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) 3%. Brancos, nulos e quem não escolheria nenhum nome somam 4%, e outros 3% não souberam responder.
No cenário de segundo turno medido pelo próprio instituto, o placar é de 46% para o presidente contra 45% para o senador, também dentro da margem de erro. Há ainda dois dados que atravessam toda a cobertura: os dois principais candidatos registram a mesma taxa de rejeição, 49%, e o governo federal é desaprovado por 48% dos entrevistados e aprovado por 47%, com 43% classificando a gestão como ruim ou péssima e 37% como ótima ou boa.
A cobertura de centro concentrou-se na ficha técnica e na série histórica, comparando as duas ondas do mesmo instituto, listando os percentuais dos candidatos secundários e detalhando contratante, custo e número de registro do levantamento. Parte dessa cobertura acrescentou o contexto político das duas campanhas em paridade: o senador chegou ao fim do período de convenções partidárias sem aliança com sigla expressiva, o que lhe reserva 4 minutos e 20 segundos de propaganda em cada bloco eleitoral, contra 5 minutos e 32 segundos do presidente; do outro lado, a Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal, na mesma segunda-feira, a abertura de uma terceira frente de investigação contra o filho do presidente, sob suspeita de tráfico de influência.
Veículos de direita enfatizaram a mecânica da migração de votos. A partir da matriz divulgada pelo próprio instituto, uma projeção redistribuiu os eleitores dos candidatos que ficariam fora do segundo turno e chegou a empate rigoroso entre os dois nomes. Nessa leitura, 52% dos eleitores de Caiado e 57% dos de Zema migrariam para o senador, e a vantagem numérica do presidente na pesquisa oficial dependeria menos da terceira via e mais dos eleitores que ainda não escolheram candidato. Essa projeção não tem margem de erro própria e não substitui o cenário oficial, ressalva que o próprio texto registra.
Não houve, no conjunto analisado, cobertura de veículos de esquerda sobre esta rodada. A leitura provável desse campo partiria dos mesmos números por outro ângulo: o presidente continua à frente em todos os cenários nacionais testados, o avanço do adversário decorre da compressão dos candidatos intermediários e não de crescimento novo, e a rejeição de 49% é idêntica para os dois, o que sugere teto semelhante de resistência.
Um segundo levantamento, divulgado em 5 de agosto e restrito ao Distrito Federal, apontou o senador com 33,5% e o presidente com 32% na consulta estimulada, com margem de erro de 3,3 pontos, e mostrou o presidente perdendo todos os cenários de segundo turno na capital. O recorte é regional e não é comparável diretamente à amostra nacional.
O que ainda não se sabe é para onde vai o eleitor que hoje declara voto branco, nulo ou indecisão, grupo que a pesquisa não redistribui e que explica a diferença entre o cenário oficial e a projeção. Também não há medição posterior ao encerramento das convenções nem à formalização das coligações, e não há resposta pública das campanhas citadas sobre os episódios de investigação mencionados na cobertura.