O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acionou a Justiça de São Paulo contra dois candidatos à Presidência da República: o senador Flávio Bolsonaro, do PL, e Romeu Zema, do Novo. As ações, protocoladas em 18 de agosto de 2026 pelo advogado Marcelo Pacheco, contestam vídeos produzidos com inteligência artificial, animação e montagem que, segundo a defesa, associam o empresário às fraudes cometidas contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS.
O caso mais detalhado é o do vídeo intitulado Missão: Localizar Lulinha, publicado por Flávio Bolsonaro em 7 de julho no X e no Instagram. A peça mostra uma representação sintética do senador pilotando uma aeronave em uma operação fictícia para encontrar o filho do presidente, descrito como elemento suspeito de ter roubado milhões de idosos no Brasil, seguido da frase de que o roubo dos velhinhos do INSS não pode ficar impune. A ação pede decisão liminar para retirar o conteúdo em até 24 horas, proibição de novas publicações e indenização de R$ 10 mil por danos morais. Na ação contra Romeu Zema, são contestados os vídeos Os Intocáveis e A casa caiu, que inserem o empresário em situações fictícias. Os dois processos tramitam na 41ª Vara Cível de São Paulo.
A cobertura converge em pontos verificáveis. O primeiro é o argumento central da defesa: não existe investigação, indiciamento, denúncia ou hipótese acusatória que atribua a Fábio Luís Lula da Silva participação nas fraudes contra aposentados e pensionistas, e o fato de ser filho do presidente não o transforma em agente público sujeito à crítica ampliada dirigida a governantes e candidatos. O segundo é que o empresário é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal por suspeita de tráfico de influência, apuração que sua defesa considera de objeto distinto do que os vídeos afirmam. O terceiro é o revés já sofrido: o juiz Marcelo Augusto Oliveira negou, em análise provisória, o pedido de remoção dos vídeos de Romeu Zema, por entender que o material aparenta ser sátira e crítica política. A decisão não encerra o processo.
A divergência está na moldura. Veículos de esquerda destacaram o uso de inteligência artificial e de montagem para imputar prática criminosa a quem não é réu nem investigado por aqueles fatos, e enfatizaram que apresentar a peça como humor não elimina seu possível caráter difamatório. A cobertura de centro concentrou-se na tramitação processual e no conteúdo literal da petição, reproduzindo trechos do documento, precisando datas do protocolo e da publicação do vídeo e lembrando apurações anteriores sobre suspeita de repasses ao empresário por parte de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Veículos de direita enfatizaram o entorno investigativo do autor da ação, citando os três inquéritos no Supremo Tribunal Federal e a lobista Roberta Luchsinger, e trataram a decisão sobre os vídeos de Romeu Zema como reconhecimento judicial de que a sátira integra o debate de campanha.
Ainda não se sabe como a Justiça decidirá o pedido liminar contra Flávio Bolsonaro, nem se as ações terão desdobramento na Justiça Eleitoral, já que envolvem material de propaganda de candidatos à Presidência. Também não há, nas coberturas, manifestação pública dos dois processados sobre as ações, nem prazo definido para julgamento de mérito ou para eventual recurso no caso já decidido em análise preliminar.