Alejandro Betancourt intermedeia entrada de petroleiras dos EUA na Venezuela
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O empresário venezuelano Alejandro Betancourt tornou-se o principal articulador do governo de Donald Trump para viabilizar negócios no setor de petróleo da Venezuela. Ele ajuda o governo americano a identificar ativos promissores, avaliar gargalos operacionais e conectar empresas ao setor, num momento em que Washington tenta atrair petroleiras independentes menores, já que ExxonMobil, ConocoPhillips e outras grandes companhias resistem a investir no país. Mais de sete meses após a captura de Nicolás Maduro e o aval americano à presidente interina Delcy Rodríguez, acordos de peso continuam escassos, travados por negociações com a estatal Petróleos de Venezuela e por sanções. Betancourt controla a North American Blue Energy Partners, segunda maior produtora privada do país, e é alvo de investigações por corrupção, lavagem de dinheiro e fraude fiscal, que ele nega.
Depois de décadas de expropriações, corrupção e colapso produtivo sob controle estatal, a Venezuela volta a abrir suas reservas ao capital privado, e a produção começa a responder. Como as grandes petroleiras americanas ainda evitam o país que confiscou seus ativos, o governo de Donald Trump aposta em produtores independentes e investidores privados com maior tolerância a risco, com a meta de US$ 100 bilhões em investimento e o efeito prático de derrubar o preço da gasolina para o consumidor americano.
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Toda a cobertura converge em que Alejandro Betancourt virou o canal informal do governo americano para o petróleo venezuelano, que as negociações correm sem licitação competitiva, que as grandes petroleiras dos Estados Unidos continuam fora do país e que o empresário responde a investigações por corrupção, lavagem de dinheiro e fraude fiscal que ele nega.
Um empresário venezuelano investigado por corrupção em três jurisdições virou o principal canal do governo dos Estados Unidos para destravar negócios no petróleo da Venezuela. A cobertura reúne os acordos preliminares em curso, os números de produção da companhia que ele controla e o bloqueio de ativos determinado pelo Departamento do Tesouro, além das lacunas que seguem sem resposta.
O empresário venezuelano Alejandro Betancourt, dono de uma fortuna construída com a venda de turbinas de geração de energia e com a extração de petróleo, emergiu como o principal articulador do governo de Donald Trump para destravar negócios no setor petrolífero da Venezuela. Segundo pessoas a par de sua atuação, ele ajuda Washington a identificar ativos energéticos promissores, avaliar gargalos operacionais e abrir portas dentro da indústria, num momento em que os Estados Unidos tentam ampliar a influência sobre o país que detém algumas das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
A cobertura de centro relatou que a estratégia americana consiste em atrair petroleiras independentes de menor porte, já que as grandes companhias, entre elas ExxonMobil e ConocoPhillips, seguem receosas anos depois de terem ativos expropriados na Venezuela. Nos últimos meses, acordos preliminares foram fechados com empresas como Lionheart Capital e Pacific Coast Energy. Mais de sete meses depois de os Estados Unidos capturarem Nicolás Maduro, avalizarem a presidente interina Delcy Rodríguez e declararem o país aberto aos negócios, os contratos de peso seguem escassos, travados por negociações complexas com a estatal Petróleos de Venezuela e pelas restrições impostas por sanções.
Os relatos convergem nos números e no histórico. A North American Blue Energy Partners, controlada por Betancourt, produz cerca de 200 mil barris por dia em campos ao redor do Lago Maracaibo e na Faixa do Orinoco, o que a torna a segunda maior produtora privada do país, atrás apenas da Chevron. Na semana passada, uma parte ligada ao empresário aceitou comprar a participação minoritária de Harry Sargeant III na companhia; pouco depois, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos comunicou ao advogado de Sargeant que havia bloqueado os ativos de sua holding offshore. Betancourt, que vive em Londres e mantém relações em Caracas, Washington e Moscou, reúne-se com frequência com Delcy Rodríguez e com o assessor de política externa Félix Plasencia, e ofereceu um jantar a uma delegação do Congresso americano. Ele é alvo, há anos, de investigações na Europa, nos Estados Unidos e na própria Venezuela por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude fiscal, nega irregularidades e nunca foi formalmente acusado.
Veículos de direita, de perfil econômico, deram ao caso um enquadramento de oportunidade: a ênfase recai sobre a abertura do mercado venezuelano a produtores independentes e investidores privados dispostos a assumir risco, sobre os US$ 100 bilhões que Donald Trump associa à reconstrução da infraestrutura do país e sobre a promessa de queda no preço da gasolina antes das eleições legislativas americanas. Até o momento, nenhum veículo de esquerda publicou sobre o caso; a leitura característica desse campo tenderia a destacar a ausência de licitação competitiva, o histórico de investigações que cerca o intermediário e a entrega das reservas de um país estrangeiro a empresas escolhidas por proximidade política, num governo que se refere à Venezuela como o 51º estado americano.
A Casa Branca classificou as relações com Caracas como extraordinárias para os dois lados e afirmou que o petróleo está começando a fluir, sem responder diretamente às perguntas sobre o papel de Betancourt. Ainda não se sabe quantos dos acordos preliminares vão virar contrato, em que termos a Petróleos de Venezuela entra em cada operação, por que o Departamento do Tesouro bloqueou os ativos da holding de Harry Sargeant III logo após a venda de sua fatia, nem qual o estágio atual das investigações abertas contra o empresário em três jurisdições. Mauricio Claver-Carone, ex-enviado especial para a América Latina e próximo do secretário de Estado Marco Rubio, reduziu sua participação no tema no último mês, e não está claro quem assume formalmente a coordenação da estratégia americana para o país.
Enquanto grandes petroleiras evitam o país, empresário atua para aproximar produtores independentes e investidores americanos de oportunidades na Venezuela

Alejandro Betancourt está ajudando o governo americano a identificar ativos energéticos promissores, avaliar gargalos operacionais e estabelecer conexões com o setor
