O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, determinou no dia 25 de junho de 2026 que o ministro André Mendonça assuma a relatoria do pedido de investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Com a decisão, Mendonça passou a concentrar em seu gabinete três dos inquéritos de maior repercussão em tramitação na Corte: o do Banco Master, o das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, e agora o do Dark Horse. A medida o posiciona como um dos magistrados mais influentes do Supremo em um ano de eleições gerais.
A cobertura de centro relatou que o caso Dark Horse estava inicialmente sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes e foi redistribuído depois que a Procuradoria-Geral da República e a área técnica do Supremo apontaram conexão entre as suspeitas sobre o filme e as investigações do Banco Master. O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro admitiu ter solicitado recursos ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, para a produção. A apuração busca esclarecer se o dinheiro foi efetivamente destinado ao filme ou desviado, e investiga ainda a eventual participação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro na gestão dessa verba.
Os três processos convergem em pontos relevantes. Mendonça já era relator do inquérito do Banco Master desde fevereiro, quando foi sorteado e herdou o caso de Dias Toffoli, e do inquérito que apura fraudes no INSS, com foco em desvios de aposentadorias e pensões de idosos ocorridos nos governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Informações obtidas pela Polícia Federal no caso Master passaram a subsidiar linhas de investigação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, indicando que os dois escândalos se conectam. Segundo as reportagens, as apurações têm potencial de atingir integrantes do governo Lula, a candidatura de Flávio Bolsonaro e partidos do centro e da oposição no Congresso.
É nesse ponto que a cobertura diverge na ênfase. Veículos de esquerda destacaram que Mendonça, ministro indicado ao STF por Bolsonaro, agora conduz inquéritos que atingem diretamente a família Bolsonaro e seus aliados, e enfatizaram que o financiamento do filme por um banqueiro escancara a relação entre poder econômico e a propaganda da direita, além de cobrarem responsabilização pelos desvios que afetaram aposentados. Veículos de direita enfatizaram o risco de que a concentração de inquéritos sensíveis em um único gabinete, em ano eleitoral, signifique uso da máquina judicial contra a oposição, lembrando que o inquérito do INSS também abrange o período do governo Lula e que a pressão por delações de Vorcaro, já rejeitadas pela PGR e pela PF, sugere tentativa de produzir provas no calendário eleitoral.
Há ainda sinais da sensibilidade política do tema dentro do próprio Congresso. O senador Lindbergh recorreu ao Supremo para tentar retirar o caso Dark Horse da relatoria de Mendonça, enquanto a defesa de Flávio Bolsonaro, em outro momento, havia pedido que o ministro assumisse o processo do Banco Master. Diante do avanço das apurações, Mendonça decidiu manter parte da equipe de seu gabinete em regime de prontidão durante o recesso do Judiciário, que começa na semana seguinte.
O que ainda não se sabe é o conteúdo concreto que as investigações podem revelar. Não está esclarecido se haverá novo acordo de delação de Daniel Vorcaro, já que o próprio Mendonça afirmou ainda não ter tido acesso à proposta, nem quais autoridades poderiam ser citadas. Também permanecem em aberto os detalhes técnicos que ligaram o financiamento do filme ao Banco Master e o alcance exato das fraudes apuradas no INSS.