NetLab da UFRJ aponta 1.613 anúncios eleitorais estrangeiros na Meta
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
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A cobertura de esquerda enfatiza que a Meta lucrou com publicidade eleitoral ilegal e só agiu depois, o que indicaria falha sistêmica de uma big tech que não respeita a legislação brasileira e ameaça a integridade do pleito.
O NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro, identificou 1.613 anúncios político-eleitorais pagos em moedas estrangeiras e veiculados nas plataformas da Meta entre julho e setembro de 2026. A empresa diz que as peças foram recategorizadas ou retiradas.
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As coberturas de centro e de esquerda concordam nos números do relatório do NetLab: 1.613 anúncios, 187 anunciantes, até R$ 2 milhões e 171,1 milhões de impressões. Também registram a resposta da Meta de que as peças foram recategorizadas ou retiradas.
O NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro, identificou 1.613 anúncios político-eleitorais pagos em moedas estrangeiras nas plataformas da Meta, com até R$ 2 milhões em receita e 171,1 milhões de impressões. A Meta diz que as peças foram recategorizadas ou retiradas.
Um levantamento do NetLab, laboratório de estudos de internet e redes sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, identificou 1.613 anúncios político-eleitorais pagos em moedas estrangeiras e veiculados nas plataformas da Meta, dona de Facebook e Instagram, durante as eleições de 2026. As peças foram publicadas entre julho e setembro, por 187 anunciantes, e renderam à empresa até R$ 2 milhões, com 171,1 milhões de impressões. A legislação eleitoral brasileira exige que o impulsionamento seja contratado por agentes autorizados, identificado como propaganda eleitoral e acompanhado do CPF ou CNPJ do responsável. Candidatos e partidos também não podem receber recursos de origem estrangeira.
A cobertura de centro relatou que o dólar foi usado em 99,5% das peças e que os anunciantes estavam sobretudo nos Estados Unidos, com páginas ligadas também a Itália, México, Bangladesh e Colômbia. Os anúncios mencionaram 70 candidatos, entre eles Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Aécio Neves e Carlos Bolsonaro. O Sudeste concentrou 62,3% das impressões, e São Paulo ficou com 42% do total. O gasto estimado equivaleria ao de campanhas como a de Fernando Haddad, candidato ao governo paulista, e colocaria o conjunto em 11º lugar entre os maiores investidores em publicidade política nas plataformas da empresa.
O relatório apontou a Corporativo Lam, LLC como pagadora de 1.047 dos 1.076 anúncios com fonte identificada, ou 97,3%, com gasto possível de até R$ 1,6 milhão. O estudo diz não ter encontrado informação suficiente para identificar os responsáveis pela empresa. Em outros 537 anúncios, não foi possível apontar o pagador. Os pesquisadores também encontraram indícios de operação coordenada, com ao menos 39 páginas e 39 sites que se apresentavam como independentes, mas publicavam conteúdo idêntico. Trinta e sete desses sites foram registrados em 48 minutos. Os anúncios promoviam e atacavam candidatos diferentes dentro das mesmas redes: 112 páginas impulsionaram conteúdo favorável em 446 anúncios, e 162 páginas veicularam conteúdo contrário em 1.356 peças.
Veículos de esquerda destacaram a dimensão da ilegalidade e a responsabilidade da plataforma. Segundo essa cobertura, a Meta vendeu e veiculou os anúncios e só depois os retirou, o que revelaria um controle reativo, sem verificação prévia. A diretora do NetLab, Rose Marie Santini, afirmou que é escandaloso que a empresa ganhe R$ 2 milhões com anúncio ilegal durante a eleição e que isso aponta falhas sistêmicas que podem afetar o pleito. Essa cobertura ressaltou ainda a propaganda negativa, proibida em lei, e as peças sem rótulo de propaganda eleitoral e sem informação do pagador.
A Meta respondeu em nota que, como o próprio estudo reconhece, os anúncios foram identificados e depois recategorizados ou retirados por violarem suas políticas. Acrescentou que o estudo inclui peças de antes do período oficial de campanha e que seu processo de análise tem várias camadas de revisão e detecção. Até o momento, veículos de direita não publicaram cobertura sobre o relatório, de modo que não há enquadramento desse campo para comparar.
O que ainda não se sabe é quem está por trás da Corporativo Lam e qual era o objetivo político das peças. O NetLab afirma que os dados não permitem atribuir um objetivo único e que só vê o que a plataforma classificou como político. Também não há informação sistemática sobre quanto tempo cada anúncio ficou no ar antes de ser moderado, nem sobre a extensão de publicidade não classificada como política.
Relatório do laboratório da UFRJ estima que a plataforma recebeu até R$ 2 milhões para impulsionar publicidade política irregular, que alcançou 171,1 milhões de impressões no Facebook e no Instagram

Peças publicitárias da Meta descumprem uma série de regras eleitorais, que não autorizam publicidade vinda de fonte estrangeira
