O presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, afirmou na quinta-feira, 20 de agosto de 2026, que a legenda apresentou ao Poder Judiciário um pedido para que outra pessoa assuma os cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A finalidade declarada é liberar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro da rotina de acompanhamento diário para que ela possa se dedicar ao calendário eleitoral. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por razões humanitárias e está submetido a restrições sobre quem pode entrar e permanecer em sua residência.
O ponto técnico é relevante e aparece nas duas coberturas: a autorização não diz respeito ao direito de Michelle Bolsonaro fazer campanha, que ninguém contesta, e sim à permissão para que um terceiro entre na casa e fique com o ex-presidente enquanto ela estiver ausente. Ela disputa uma vaga no Senado pelo Distrito Federal e, segundo o dirigente partidário, não deverá seguir a agenda inteira de Flávio Bolsonaro, candidato do partido à Presidência, mas comparecer aos atos considerados mais importantes pela campanha. O comando da legenda avalia que o carisma da ex-primeira-dama ajuda a reduzir resistências ao nome do candidato.
Valdemar Costa Neto sustentou ainda que Flávio Bolsonaro avançou de dois a três pontos percentuais nas intenções de voto depois da reconciliação pública com a ex-primeira-dama, e atribuiu a mudança de tom do candidato, com menos acenos ao Centrão e mais alinhamento ao bolsonarismo, a uma troca de marqueteiros. Na mesma entrevista, defendeu que Pablo Marçal possa concorrer à Presidência, embora considere a hipótese improvável por impedimento da Justiça Eleitoral.
Os dois lados que cobriram o caso partem do mesmo conjunto de fatos e divergem no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram o caráter instrumental do arranjo, tratando a ex-primeira-dama como ativo eleitoral movido conforme a conveniência do palanque, e registraram que o dirigente não indicou qual levantamento sustentaria o ganho de dois a três pontos. Essa cobertura também recuperou o precedente do início de agosto, quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou temporariamente a entrada de Geovanna Kathleen Ferreira Lima, irmã de Michelle Bolsonaro, durante exames médicos da ex-primeira-dama, permissão que se encerrou com o retorno dela à residência.
Veículos de direita trataram o pedido como providência operacional de campanha, com espaço maior para as declarações do dirigente sobre carisma, marqueteiros e a hipótese de candidatura de Pablo Marçal. Nesse recorte, o contexto que motiva a autorização quase desaparece: a prisão domiciliar e a restrição de visitas não são mencionadas, e o caso é apresentado como questão de cuidados médicos e organização de agenda. A cobertura de centro esteve ausente do conjunto de matérias reunidas até agora, de modo que não há um relato factual neutro que sirva de contraste independente às afirmações do presidente da legenda, sobretudo à variação de intenções de voto.
O que ainda não se sabe é quem ocuparia o lugar de Michelle Bolsonaro nos cuidados do ex-presidente, se o pedido já foi formalmente protocolado, em que processo e sob relatoria de qual instância, e em que prazo haveria decisão. Também segue em aberto qual pesquisa embasaria o avanço atribuído ao candidato à Presidência, se a autorização seria permanente ou limitada a datas específicas do calendário de campanha, e como ficam as regras de visita já fixadas caso o pedido seja aceito.