O presidente da Argentina, Javier Milei, nomeou neste domingo, 28 de junho de 2026, o então ministro do Interior, Diego Santilli, como novo chefe de gabinete de seu governo. A escolha veio um dia depois de Manuel Adorni renunciar ao cargo, em meio a uma investigação judicial por suposto enriquecimento ilícito. Segundo o anúncio feito por Milei nas redes sociais, ao lado da irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, a posse de Santilli está marcada para a terça-feira. Ele será o quarto chefe de gabinete do presidente desde que o ultraliberal chegou ao poder, em dezembro de 2023.
A cobertura de centro relatou os fatos com sobriedade: Adorni, de 46 anos, admitiu ter omitido cerca de US$ 500 mil em suas declarações de bens, valores que atribuiu a economias e investimentos em criptomoedas feitos entre 2014 e 2018. Essa explicação contradiz declaração anterior do próprio Adorni ao Congresso, em abril, quando sustentou que nunca houve qualquer ocultação de patrimônio. A investigação apura ainda a compra de dois imóveis, uma viagem em família às ilhas caribenhas de Aruba e outros gastos considerados incompatíveis com a renda do ex-ministro. Uma pesquisa do Centro de Estudos de Opinião Pública apontou que 78% dos argentinos achavam que ele deveria renunciar.
Veículos de direita enfatizaram o perfil do novo chefe de gabinete e a continuidade do projeto de reformas. Destacaram que Santilli, de 59 anos, tem longa trajetória política, passou pelo peronismo antes de se filiar ao PRO e ocupou cargos no governo da cidade de Buenos Aires, além de mandatos como senador e deputado. Diferentemente de Adorni, descrito como confrontador e pouco negociador, Santilli é apresentado como um nome de consenso, capaz de articular com governadores e bancadas aliadas. Nessa leitura, Milei, embora tenha defendido a presunção de inocência de Adorni e criticado o que classificou como assédio midiático, aceitou a renúncia para preservar a estabilidade e destravar as reformas estruturais.
Veículos de esquerda, por sua vez, leram o episódio como contraste entre o discurso e a prática. Recordaram que Milei venceu as eleições de 2023 atacando a 'casta' política e prometendo combater a corrupção, mas sustentou por mais de três meses um auxiliar acusado de gastos suntuosos e omissão patrimonial, mesmo diante de ampla rejeição popular. Nessa cobertura, a blindagem prolongada e a troca por um quadro ligado ao establishment do PRO evidenciam acomodação com a velha política que o presidente dizia combater.
O que ainda não se sabe é o desfecho da investigação judicial sobre a origem do patrimônio de Adorni, que segue em curso na Justiça argentina. Também não está claro até que ponto o desgaste atingirá a base de apoio de Milei nem como Santilli conduzirá a relação com o Congresso a partir da posse.