O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como dono do Banco Master e preso em Brasília, trocou novamente de defesa e prepara uma terceira tentativa de acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. O criminalista Daniel Leon Bialski passa a comandar a estratégia, ao lado dos advogados Bruno Borragine e André Bialski, em atuação conjunta com Sérgio Leonardo, único defensor que permaneceu desde a deflagração da Operação Compliance Zero, em 2025. Até o fechamento das reportagens, o novo pedido de habilitação ainda não havia sido protocolado formalmente.
A cobertura de centro relatou que a informação foi confirmada por fontes ligadas ao caso e que o escritório contratado disse não ter informações sobre a situação. Essa mesma cobertura registra a avaliação de investigadores de que o ex-banqueiro não entregou tudo o que sabe: as duas propostas anteriores foram recusadas porque as diligências já haviam desbaratado boa parte do esquema, o que tornou dispensável tanto a colaboração de Vorcaro quanto a de outros acusados, entre eles o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. Ainda assim, autoridades da corporação deixaram claro que as negociações podem ser retomadas, e o fato de o investigado seguir custodiado na sede da Polícia Federal, em vez de retornar à Penitenciária Federal de Brasília, é interpretado como sinal de que as tratativas não foram encerradas em definitivo.
Veículos de direita enfatizaram a cronologia do processo e o percurso do caso pelo Supremo Tribunal Federal. Nessa leitura, ganham relevo a prisão de novembro do ano passado, quando Vorcaro tentava deixar o país em um jato particular, a soltura decidida no mesmo mês pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região e a remessa da investigação ao Supremo depois que a defesa apontou possível envolvimento de autoridade com foro privilegiado, a partir de uma pasta com o nome de um deputado encontrada em buscas. O processo ficou sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que deixou o caso após a Polícia Federal informar à corte a existência de diversas menções a seu nome no celular do investigado. A relatoria passou ao ministro André Mendonça, que decretou nova prisão em março e determinou também a detenção do pai, do cunhado e de um primo do ex-banqueiro, todos suspeitos de integrar o esquema de fraudes financeiras. A mesma cobertura detalha o vaivém das defesas: no início, o investigado reuniu criminalistas de renome, depois dispensou três escritórios e tentou negociar por meio de outro advogado, cuja oferta foi recusada por Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República, levando-o a deixar o caso.
A divergência entre os dois enquadramentos é de ênfase, não de fato. A cobertura de centro concentra-se no estado atual da negociação e no cálculo dos investigadores sobre a utilidade da colaboração. A cobertura de direita organiza o caso como uma sequência de decisões judiciais e de trocas de defesa, com destaque para a substituição de relator no Supremo. Veículos de esquerda não cobriram o episódio no conjunto analisado, de modo que ângulos como a supervisão do sistema financeiro, a exposição de uma instituição pública ao esquema e a proteção de correntistas permanecem sem tratamento nesta rodada de cobertura.
Ainda não se sabe quando o novo pedido de habilitação será protocolado, nem se a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República voltarão à mesa de negociação. Também não está esclarecido o que a nova defesa pretende oferecer que as propostas anteriores não continham, nem quem é o parlamentar cujo nome apareceu no material apreendido. Não há, nas reportagens, prazo definido para uma decisão sobre a colaboração nem indicação de quando o processo terá novo desdobramento no Supremo Tribunal Federal.