O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, trocou de advogado e pretende apresentar uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal. A defesa passa a ser conduzida pelo criminalista Daniel Leon Bialski, que até a publicação da reportagem ainda não havia protocolado o pedido oficial de ingresso no processo. Procurado, o escritório do advogado afirmou não ter informações sobre a situação.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o episódio, e a apuração se apoia em fontes ligadas ao caso, sem citar documento, petição ou decisão judicial. Trata-se, portanto, de uma cobertura de fonte única, cujos detalhes ainda não foram confirmados por outras redações nem pelas autoridades envolvidas. Por essa razão, nada do que segue está atribuído a enquadramentos de esquerda, de centro ou de direita: não houve, até aqui, pluralidade de cobertura que permitisse esse contraste.
A mudança na defesa ocorre depois de dois reveses. Segundo o relato, a delação de Vorcaro foi rejeitada duas vezes pela Polícia Federal e encontrou barreira também na Procuradoria-Geral da República. A avaliação de investigadores é que ele não contou tudo o que sabia e não ofereceu informações capazes de fazer a investigação avançar. As diligências conduzidas pelas equipes já teriam desbaratado boa parte do esquema criminoso apurado, o que, na leitura dos investigadores, tornou desnecessária a colaboração do banqueiro e a de outros acusados, entre eles o ex-presidente do Banco de Brasília, o BRB, instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal.
Ainda assim, o caminho da negociação não foi fechado. Autoridades policiais deixaram claro que as tratativas poderiam ser retomadas. Um indício nesse sentido, destacado na reportagem, é o fato de Vorcaro continuar preso na sede da Polícia Federal, sem retornar à Penitenciária Federal de Brasília. A permanência na custódia da corporação costuma acompanhar negociações em curso, e a leitura apresentada é a de que o assunto segue em aberto.
O novo defensor já atuou em causa de projeção política: foi advogado do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. A troca sinaliza uma mudança de estratégia processual em um caso que combina investigação criminal de grande porte, dinheiro de banco público e negociação de acordo de colaboração premiada, instrumento que só produz efeito quando a autoridade que o recebe considera relevante o conteúdo entregue.
O que ainda não se sabe é considerável. Não há informação pública sobre quem era o advogado anterior nem sobre os motivos da saída dele. Não se conhece o teor da nova proposta de colaboração, nem quais fatos Vorcaro estaria disposto a apresentar para superar as duas recusas anteriores. Também não há posição formal da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República sobre disposição de retomar a negociação, nem prazo para que o novo defensor se habilite nos autos. Sem manifestação oficial das partes e sem cobertura complementar de outros veículos, o quadro permanece baseado em relato de bastidor.