Novos aposentados caem 53% na Argentina de Milei, modelo de Flávio Bolsonaro
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A experiência argentina mostra, na leitura da esquerda, o custo social de um ajuste fiscal: menos acesso à aposentadoria, perda de poder de compra dos idosos e protestos semanais. O modelo que inspira Flávio Bolsonaro ameaça a proteção social no Brasil.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) cita o ajuste fiscal de Javier Milei como inspiração, mas nega cortes em aposentadorias e programas sociais. Na Argentina, o número de novos aposentados caiu 53% entre o primeiro semestre de 2024 e o de 2026, segundo boletins previdenciários oficiais.
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A campanha de Flávio Bolsonaro cita o ajuste fiscal de Javier Milei como inspiração e promete um "tesouraço" nas despesas, sem detalhar o alcance. Na Argentina, o ingresso de novos aposentados caiu 53%. Entenda o que os dados mostram e o que a campanha nega.
Até o momento, a cobertura reunida sobre o tema vem de veículos de centro e de esquerda. A campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) tem citado o ajuste fiscal do presidente argentino, Javier Milei, como inspiração. A promessa de um "tesouraço" nas despesas públicas, de até R$200 bi, abriu uma disputa sobre o alcance dos cortes, ainda não detalhados. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobra que Flávio explique a proposta, e o senador nega que vá fazer ajuste sobre aposentadorias ou programas sociais.
A coordenadora da equipe econômica da campanha, a economista Daniella Marques, disse em setembro, durante evento da Esfera Brasil, que o governo de Milei é um exemplo e uma inspiração. Hoje, as aposentadorias brasileiras seguem a regra do salário mínimo, que prevê ganho real de até 2,5% acima da inflação. A desindexação desse reajuste é uma das principais demandas de agentes do mercado financeiro para reduzir despesas.
A cobertura de centro e a de esquerda convergem nos dados argentinos. O número de pessoas que ingressaram na Previdência caiu de 213,9 mil, no primeiro semestre de 2024, para 99,6 mil, no primeiro semestre de 2026, uma queda de 53%, registrada nos boletins estatísticos oficiais. A causa apontada é o fim da moratória previdenciária, em março de 2025, que permitia a quem tinha a idade mínima, mas não os 30 anos de contribuição, regularizar períodos sem recolhimento. A cobertura de esquerda faz uma ressalva: a queda se refere a novos aposentados, não ao total de beneficiários.
Outra mudança foi a fórmula de reajuste, alterada em março de 2024 por decreto. Antes, metade do aumento seguia os salários e metade a arrecadação da Previdência. Agora, o reajuste mensal acompanha a inflação. O Centro de Economia Política Argentina calcula que a aposentadoria mínima, sem bônus, ficou em 403.327 pesos em junho de 2026, 21,6% abaixo dos 490.621 pesos que valeria pela regra anterior. Em dezembro de 2024, o instituto de saúde dos aposentados restringiu a gratuidade de medicamentos a quem ganha até 1,5 vez o benefício mínimo. O Congresso argentino aprovou três projetos para melhorar os valores, todos vetados integralmente por Milei, que alegou falta de recursos. Segundo a organização Espaço Gerontovida, o mínimo cobre cerca de 25% das necessidades básicas de um idoso.
Veículos de esquerda destacaram que os números são desastrosos e que o modelo implica custos sociais, citando protestos semanais de aposentados em Buenos Aires. Reproduziram ainda artigo de opinião de economistas, entre eles o ex-ministro argentino Martin Guzman e o Nobel Joseph Stiglitz, que apontam queda de quase 8% nos salários reais, desemprego de 7,9% e inflação ainda acima de 30% em 12 meses. Também ressaltaram que o contexto brasileiro é diferente, com inflação em torno de 4,6%, contra 211% na Argentina em 2023.
A cobertura de centro registrou a negativa da campanha de Flávio de que haverá cortes em aposentadorias, ao lado das críticas de entidades argentinas. Neste conjunto, não há veículo de direita, de modo que a defesa do ajuste de Milei não aparece com voz própria; o que se sabe da posição da campanha vem da própria declaração registrada pela cobertura de centro.
O que ainda não se sabe: quais despesas o "tesouraço" atingiria, se haveria mudança na regra de reajuste das aposentadorias e como a campanha responderá aos dados argentinos.

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